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Fernando de Noronha, o paraíso é aqui

Posted on 21 September 2007 by Pedro Serra

Mês que vem faz dez anos da minha viagem para Fernando de Noronha. De lá para cá, fico imaginando quanta coisa não deve ter mudado naquela ilha paradisíaca. Quantas novas pousadas, bares, operadoras de mergulho… será que ainda tem o forró da praia do cachorro? Será que os amigos que eu fiz nos poucos dias que eu fiquei na ilha ainda estão por lá? Como será que o crescimento, a chegada de novos empreendimentos e o aumento no número de turistas afetou o lugar?

Noronha é Patrimônio Mundial Natural da Unesco. Formado por 21 ilhas, ilhotas e rochedos de origem vulcânica, o arquipélago abriga centenas de espécies de fauna e flora, protegidas pelo Parque Nacional Marinho , criado em 1988 e subordinado ao IBAMA. Além de promover projetos de educação ambiental e pesquisas científicas no local, o instituto regula a entrada e o deslocamento dos visitantes no arquipélago, demarcando trilhas, cobrando a famosa taxa ambiental – que pode chegar a R$2.500,00 por 30 dias na ilha.

Bar do CachorroTentei achar informações sobre o tal número rigoroso de turistas que podem estar na ilha ao mesmo tempo, mas apesar de todo mundo falar sobre ele, ninguém sabe ao certo qual é. Achei em um site o número de 120 desembarques diários até o limite de 420 turistas, mas deve ser antigo, levando em conta que Noronha conta hoje com pelo menos 110 opções de hospedagem autorizadas, ou seja, quase 600 leitos disponíveis. Isso sem contar as casas da população local, que não entram nas estatísticas. Quando eu fui, em 1997, eram apenas 66 pousadas e um hotel. Além das pousadas, 17 restaurantes, 14 bares, 47 locadoras de veículos, três operadoras de mergulho e uma agência bancária completam a infra-estrutura disponível para o turista. Em 1997, mais de 22 mil pessoas visitaram a ilha a passeio, em 2004, última estatística que eu consegui, este número já estava em quase 55 mil.

Mas e ai, o que se faz em Fernando de Noronha? (prepare o bolso, tudo custa dinheiro)

Trilhas – São cinco trilhas definidas dentro da área do Parque, mas você precisa ir acompanhado de um condutor credenciado pelo IBAMA ($).

Trilha dos Golfinhos
Trilha Sancho/Baía dos Porcos (início na Cacimba do Padre)
Trilha Capim-açu (aberta somente de agosto a fevereiro. Início e fim na praia do Leão)
Trilha do Farol (íngreme e de percurso longo)
Trilha da Pontinha / Pedra Alta

MergulhoMergulho Autônomo / Snorkeling – Isso é o que realmente se deve fazer em Noronha. A maior beleza do arquipélago, para mim, está debaixo d´água. Procure uma das três operadoras (na minha opinião a Águas Claras é a melhor) e divirta-se.

Se você tiver medo de ficar 10-12 metros debaixo d´água com arraias, moréias e, se der sorte, tubarões, pode simplesmente alugar uma mascara e um snorquel e mergulhar nas pedras próximo à praia.

Um parênteses aqui, falei na sorte de encontrar um tubarão, e não é loucura minha… primeiro porque o bicho é bonito, segundo porque, em Noronha, onde ele tem muito o que comer, a última coisa que ele vai querer mastigar é um mergulhador com roupa de neoprene, e terceiro, e mais entristecedor, é que eles são em número cada vez menor na região, onde há uma empresa que faz um tal de Tubalhau (uns petiscos a base de tubarão). O tal do Tubalhau começou como um projeto de pesquisa dos tubarões, mas acabou se tornando um comércio lucrativo de todas as partes do bicho. A carne para o tal bolinho, a mandibula para artesanato e a cartilagem para a indústria farmacêutica. Lembro de já em 1997 ter uma conversa com o famoso mergulhador Lawrence Waba, que estava na ilha, e dele reclamar muito do desaparecimento dos tubarões. Isso há dez anos. Todos os sites recomendam uma ida ao tal do Tubalhau, EU SOU RADICALMENTE CONTRA.

Voltando ao assunto, outra opção para conhecer o fundo do mar é o plana-sub, em que você vai puxado por um barco com uma prancha tipo de natação. Na minha época não tinha isso, mas se eu for de novo (aliás, quando eu for de novo), vou experimentar.

Não deixe de fazer também o passeio de barco até a Bahia dos Golfinhos. Oportunidade única para mergulhar rodeado por golfinhos rotadores. Um dos melhores passeios oferecidos na ilha.

Ba�a dos Golfinhos

Nadando com os golfinhos

Surfe na Cacimba do PadreSurfe / bodyboard – Noronha é o Havaí brasileiro. De todas as praias do arquipélago, a mais famosa é a Cacimba do Padre, onde ondas tubulares de até doze pés quebram sobre um fundo misto de areia e pedra. A temporada com as melhores ondas começa em novembro e se prolonga até meados de abril. Quando eu fui, era outubro, e mesmo assim peguei boas ondas no Boldró e na Praia do Cachorro, só não deu para conhecer os famosos salões azuis da Cacimba do Padre.

Com os locaisNoite – as opções de noite em Fernando de Noronha são muito limitadas. O forró do Bar do Cachorro, na Vila dos Remédios, é onde a ilha costuma se reunir e bater coxa até as quatro da manhã. Mas antes de ir para a noite, o programa é assistir as palestras sobre meio ambiente do IBAMA. A turistada toda vai, e você não vai querer ficar de fora.

Bom, tem ainda os passeios de bugre, de caiaque, de escuna… e os ilhéus. O povo de Fernando de Noronha é realmente muito simpático, receptivo e prestativo. Como não dá para colocar todas as informações aqui no post, abaixo segue uma lista de links com pousadas, restaurantes e atrações.

Noronha SunsetIlha de Noronha

Fernando Noronha Tur

Cia EcoTurismo

Fernando de Noronha Online


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Os museus do Brasil

Posted on 05 September 2007 by Pedro Serra

Confesso que conheço mais museus fora do que dentro do Brasil. Não, não é nada do que me orgulhar. Afinal sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor. Mas acredito que isso tem dois motivos. O primeiro é que, quando viajamos, queremos conhecer mais esse tipo de lugar. E tendo morado nos Estados Unidos e feito um tour pela Europa, museus é que não faltaram para mim lá fora. O segundo é que os museus brasileiros, muitas vezes, não empolgam muito.

Recentemente estive em Tiradentes e fiquei decepcionado ao visitar o Museu Padre Toledo. O Padre foi um dos Inconfidentes e a casa era uma das mais ricas da então Vila de São José Del Rei. Mas o museu conta com uma meia dúzia de peças envelhecidas e não conta muito a história do que aconteceu ali. Eu logo fiz uma comparação com o museu da Batalha de Gettysburg, na Pennsylvania, EUA, onde o museu, na verdade, é a cidade inteira. No que foi o campo de batalha, há pessoas vestidas como na guerra. Na casa do museu propriamente dito, há mapas explicativos, objetos, roupas da época, gravuras, etc, etc, etc, contando tudo o que aconteceu, como aconteceu, porque aconteceu e quando aconteceu. Ok, o investimento lá é muito maior. Mas nós temos criatividade… Tiradentes recebe milhares de visitantes por ano, não deveria se basear apenas na arquitetura e na Maria Fumaça para entreter seus visitantes, deveria contar um pouco melhor sua história.

Menino com Peão - Reynaldo FonsecaQuanto à arte, temos excelentes artistas nacionais… Candido Portinari, Di Cavalcanti, Tarsila do Amaral e muitos, muitos outros. Eu sou primo (de segundo grau) de dois grandes pintores pernambucanos de projeção internacional. Qualquer apartamento dos membros da minha família é uma verdadeira exposição de obras de Reynaldo Fonseca e Lucia Helena. Cresci vendo seus quadros. Reynaldo foi aluno de Candido Portinari e me lembro de, durante minha infância, ter medo de andar pela sala à noite por causa dos olhos nos quadros, que seguiam meus passos.

Leque - Reynaldo Fonseca

Quadros de Reynaldo Fonseca. À direita, Menino com Peão, à esquerda, Leque.

Mas vamos aos museus então…

A página Guia dos Museus tem links para os principais museus do Brasil, dividido por estados. Infelizmente o cara que fez a página quis ganhar uns trocados e colocou alguns pop-ups… mas se você usa um bloqueador, não deve ter problemas. Tentei localizar outras páginas, mas nenhuma era tão completa ou estava tão atualizada com os links… mesmo nesta página, muitos dos links estão quebrados, então você tem que se virar para achar… eu tentei aqui dar uma ajudinha, colocando sempre os links para páginas mais completas quando o Guia dos Museus falhava.

Aqui vão algumas dicas de museus que visitei ou que acho interessante:

Rio de Janeiro:

Urutu - Tarsila do AmaralMAM – Museu de Arte Moderna – Um incêndio em 1978 destruiu boa parte de um acervo que contava com peças de Picasso, Salvador Dali, Miró, Max Ernst, entre outros. A solidariedade de artistas, governos e colecionadores ajudou o museu a voltar a funcionar, mas foi a doação de Gilberto Chateaubriand, em 1993, que realmente colocou o museu de volta à cena. Hoje o MAM conta com em seu acervo com obras de Anita Malfatti, Tarsila do Amaral (o Urutu, imagem à direita), Lasar Segall, Di Cavalcanti, Ismael Nery, Vicente do Rego Monteiro, Cândido Portinari, Pancetti, Goeldi e Djanira, além de uma grande exposição de mais de quatro mil obras de fotógrafos brasileiros e exposições temporárias.

MAC NiteróiNiterói:

MAC – Museu de Arte Contemporânea – O prédio do museu já é uma obra de arte. Projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer, parece um disco voador, emoldurado pela Bahia de Guanabara, com uma belíssima vista para o Rio de Janeiro. O acervo do MAC conta com 369 obras próprias e 1.217 obras da coleção de João Sattamini, que incluem artistas como Hélio Oiticica, Amílcar de Castro, Carlos Vergara, entre outros.

Petrópolis:

Museu Imperial – O museu é a antiga casa de verão de Dom Pedro II, na cidade por ele criada com um nome que o homenageia. Petrópolis, a cidade de Pedro. Documentos, móveis e objetos fazem parte do acervo, além do próprio palácio e seus muitos quartos. Uma das curiosidades é que o visitante tem que calçar pantufas para andar pelo museu, para não estragar o chão de madeira. É comum vê-los deslizando pelos cômodos. O museu também oferece um show, que ilumina o palácio de diferentes formas ao som de música.

São Paulo:

A Estudante - Anita Malfati (MASP)MASP – Museu de Arte de São Paulo – Outro que tem o prédio como uma obra de arte. O forte de seu acervo está nas obras francesas e italianas. O museu possui a maior e mais completa coleção de obras de arte ocidental da América Latina. No lado dos Italianos, podemos citar obras de Sandro Botticelli, Paolo Veronese, Alessandro Magnasco, Giovanni Boldini, entre muitos outros. Entre os franceses, nomes como Nicolas Poussin, os impressionistas Manet, Degas, Cézanne, Monet e Renoir, o fauvista Matisse e o cubista Picasso. Também estão lá obras de Max Ernst, Goya e meus favoritos Miro e Van Gogh. Ahhh… tem brasileiros também. Esculturas de aleijadinho, pinturas de Portinari, Lasar Segal, Anita Malfatti(A Estudante, imagem à direita), Di Cavalcanti. Tem ainda arte asiática, africana, inglesa, americana… fotografia, arqueologia, moda e vestuário, biblioteca… uff uff uff.

Paisagem - Tarsila do Amaral (MAM-SP)MAM – Museu de Arte Moderna – Apesar de se autodenominar de arte moderna, o museu reúne um acervo de quatro mil obras de arte contemporânea brasileira, entre elas, pinturas de Candido Portinari, Emiliano Di Cavalcanti, Tarsila do Amaral (Paisagem, imagem à esquerda) e Victor Brecheret.

Belo Horizonte:

MAP – Museu de Arte da Pampulha – Mais um prédio projetado por Oscar Niemeyer, centro do denominado “conjunto arquitetônico da Pampulha”, proposto por Juscelino Kubitscheck. Seus jardins foram projetados por Burle Marx e conta com esculturas de August Zamoyski, José Pedrosa e Alfredo Ceschiatti. O museu se destaca mais por organizar exposições de arte contemporânea do que por seu acervo, mas conta com obras de Portinari, Di Cavalcanti e Alfredo Volpi.

Recife:

Instituto Ricardo Brennand – Um castelo Medieval no meio de Recife já é o suficiente para instigar uma visita a este museu. Mas a visão de Ricardo Brennand era maior do que apenas uma construção megalomaníaca e lá se encontram uma exposição de armas brancas e armaduras medievais, uma pinacoteca com obras do pintor holandês Albert Eckhout, que veio ao Brasil durante o século 17 retratar paisagens e cotidiano, e uma biblioteca composta por obras raras que pertenceram ao historiador José Antônio Gonçalves de Mello e ao escritor Édson Nery da Fonseca

Instituto Ricardo Brennand - Recife

Manaus:

Teatro AmazonasMuseu do Teatro Amazonas – Construído nos estilos neo-clássico e art-noveau durante o ciclo da borracha, no final do século 19, o prédio possui em sua arquitetura ornamentos que fazem referências a compositores e dramaturgos clássicos como Mozart, Chopin, Rossini e Moliére.

Ok… vou parar por aqui… o resto é com vocês. Se alguém tiver alguma dica para dar, sinta-se a vontade para usar os comentários… afinal eles estão ai para isso mesmo

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