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Primeiras impressões de Mariana, MG

Posted on 17 September 2011 by Pedro Serra

Quem acompanha o Sem Destino e já viu os posts sobre Tiradentes e Paraty, sabe que eu tenho uma queda por cidades históricas. Aproveitando o convite para dar uma palestra na convenção dos donos de albergue da Hostelling International Brasil, que acontece em Ouro Preto, me hospedei em Mariana para conhecer a cidade. Por enquanto, dei apenas um pequeno passeio pelas ruelas de casas antigas, ruas de pedra e recheadas de igrejas por todos os lados. Não, ainda não tenho muitas dicas para dar, apenas belas fotos para mostrar toda a magia do lugar (em uma hora de caminhada, já enchi um cartão de 16Gb). Infelizmente não me deixaram fotografas dentro das igrejas… Ainda não sei os nomes dos lugares que fotografei, mas assim que descobrir pode deixar que eu conto para vocês.

Mariana - Minas GeraisMariana - Minas Gerais

A única dica que eu posso dar no momento é onde se hospedar… O Mariana Hostel é uma casa de dois andares em estilo colonial, com quartos amplos e limpos e donos bem simpáticos. Além disso, fica bem perto do centro da cidade, tem TVs nos quartos e o melhor torresmo da cidade. Os quartos saem a R$ 38 o coletivo, R$ 55 o individual e R$ 100 o de casal. Todos têm banheiro privativo e os associados HI ainda têm desconto nas tarifas. Há um estacionamento privativo, wi-fi gratuito, cozinha e lavanderia. Endereço: Rua Mestre Vicente, 41 – Centro Histórico. Tel.: (31) 3557-1435.

Mariana - Minas GeraisMariana - Minas GeraisMariana - Minas GeraisMariana - Minas GeraisMariana - Minas Gerais

Mariana - Minas GeraisMariana - Minas Gerais

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Os museus do Brasil

Posted on 05 September 2007 by Pedro Serra

Confesso que conheço mais museus fora do que dentro do Brasil. Não, não é nada do que me orgulhar. Afinal sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor. Mas acredito que isso tem dois motivos. O primeiro é que, quando viajamos, queremos conhecer mais esse tipo de lugar. E tendo morado nos Estados Unidos e feito um tour pela Europa, museus é que não faltaram para mim lá fora. O segundo é que os museus brasileiros, muitas vezes, não empolgam muito.

Recentemente estive em Tiradentes e fiquei decepcionado ao visitar o Museu Padre Toledo. O Padre foi um dos Inconfidentes e a casa era uma das mais ricas da então Vila de São José Del Rei. Mas o museu conta com uma meia dúzia de peças envelhecidas e não conta muito a história do que aconteceu ali. Eu logo fiz uma comparação com o museu da Batalha de Gettysburg, na Pennsylvania, EUA, onde o museu, na verdade, é a cidade inteira. No que foi o campo de batalha, há pessoas vestidas como na guerra. Na casa do museu propriamente dito, há mapas explicativos, objetos, roupas da época, gravuras, etc, etc, etc, contando tudo o que aconteceu, como aconteceu, porque aconteceu e quando aconteceu. Ok, o investimento lá é muito maior. Mas nós temos criatividade… Tiradentes recebe milhares de visitantes por ano, não deveria se basear apenas na arquitetura e na Maria Fumaça para entreter seus visitantes, deveria contar um pouco melhor sua história.

Menino com Peão - Reynaldo FonsecaQuanto à arte, temos excelentes artistas nacionais… Candido Portinari, Di Cavalcanti, Tarsila do Amaral e muitos, muitos outros. Eu sou primo (de segundo grau) de dois grandes pintores pernambucanos de projeção internacional. Qualquer apartamento dos membros da minha família é uma verdadeira exposição de obras de Reynaldo Fonseca e Lucia Helena. Cresci vendo seus quadros. Reynaldo foi aluno de Candido Portinari e me lembro de, durante minha infância, ter medo de andar pela sala à noite por causa dos olhos nos quadros, que seguiam meus passos.

Leque - Reynaldo Fonseca

Quadros de Reynaldo Fonseca. À direita, Menino com Peão, à esquerda, Leque.

Mas vamos aos museus então…

A página Guia dos Museus tem links para os principais museus do Brasil, dividido por estados. Infelizmente o cara que fez a página quis ganhar uns trocados e colocou alguns pop-ups… mas se você usa um bloqueador, não deve ter problemas. Tentei localizar outras páginas, mas nenhuma era tão completa ou estava tão atualizada com os links… mesmo nesta página, muitos dos links estão quebrados, então você tem que se virar para achar… eu tentei aqui dar uma ajudinha, colocando sempre os links para páginas mais completas quando o Guia dos Museus falhava.

Aqui vão algumas dicas de museus que visitei ou que acho interessante:

Rio de Janeiro:

Urutu - Tarsila do AmaralMAM – Museu de Arte Moderna – Um incêndio em 1978 destruiu boa parte de um acervo que contava com peças de Picasso, Salvador Dali, Miró, Max Ernst, entre outros. A solidariedade de artistas, governos e colecionadores ajudou o museu a voltar a funcionar, mas foi a doação de Gilberto Chateaubriand, em 1993, que realmente colocou o museu de volta à cena. Hoje o MAM conta com em seu acervo com obras de Anita Malfatti, Tarsila do Amaral (o Urutu, imagem à direita), Lasar Segall, Di Cavalcanti, Ismael Nery, Vicente do Rego Monteiro, Cândido Portinari, Pancetti, Goeldi e Djanira, além de uma grande exposição de mais de quatro mil obras de fotógrafos brasileiros e exposições temporárias.

MAC NiteróiNiterói:

MAC – Museu de Arte Contemporânea – O prédio do museu já é uma obra de arte. Projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer, parece um disco voador, emoldurado pela Bahia de Guanabara, com uma belíssima vista para o Rio de Janeiro. O acervo do MAC conta com 369 obras próprias e 1.217 obras da coleção de João Sattamini, que incluem artistas como Hélio Oiticica, Amílcar de Castro, Carlos Vergara, entre outros.

Petrópolis:

Museu Imperial – O museu é a antiga casa de verão de Dom Pedro II, na cidade por ele criada com um nome que o homenageia. Petrópolis, a cidade de Pedro. Documentos, móveis e objetos fazem parte do acervo, além do próprio palácio e seus muitos quartos. Uma das curiosidades é que o visitante tem que calçar pantufas para andar pelo museu, para não estragar o chão de madeira. É comum vê-los deslizando pelos cômodos. O museu também oferece um show, que ilumina o palácio de diferentes formas ao som de música.

São Paulo:

A Estudante - Anita Malfati (MASP)MASP – Museu de Arte de São Paulo – Outro que tem o prédio como uma obra de arte. O forte de seu acervo está nas obras francesas e italianas. O museu possui a maior e mais completa coleção de obras de arte ocidental da América Latina. No lado dos Italianos, podemos citar obras de Sandro Botticelli, Paolo Veronese, Alessandro Magnasco, Giovanni Boldini, entre muitos outros. Entre os franceses, nomes como Nicolas Poussin, os impressionistas Manet, Degas, Cézanne, Monet e Renoir, o fauvista Matisse e o cubista Picasso. Também estão lá obras de Max Ernst, Goya e meus favoritos Miro e Van Gogh. Ahhh… tem brasileiros também. Esculturas de aleijadinho, pinturas de Portinari, Lasar Segal, Anita Malfatti(A Estudante, imagem à direita), Di Cavalcanti. Tem ainda arte asiática, africana, inglesa, americana… fotografia, arqueologia, moda e vestuário, biblioteca… uff uff uff.

Paisagem - Tarsila do Amaral (MAM-SP)MAM – Museu de Arte Moderna – Apesar de se autodenominar de arte moderna, o museu reúne um acervo de quatro mil obras de arte contemporânea brasileira, entre elas, pinturas de Candido Portinari, Emiliano Di Cavalcanti, Tarsila do Amaral (Paisagem, imagem à esquerda) e Victor Brecheret.

Belo Horizonte:

MAP – Museu de Arte da Pampulha – Mais um prédio projetado por Oscar Niemeyer, centro do denominado “conjunto arquitetônico da Pampulha”, proposto por Juscelino Kubitscheck. Seus jardins foram projetados por Burle Marx e conta com esculturas de August Zamoyski, José Pedrosa e Alfredo Ceschiatti. O museu se destaca mais por organizar exposições de arte contemporânea do que por seu acervo, mas conta com obras de Portinari, Di Cavalcanti e Alfredo Volpi.

Recife:

Instituto Ricardo Brennand – Um castelo Medieval no meio de Recife já é o suficiente para instigar uma visita a este museu. Mas a visão de Ricardo Brennand era maior do que apenas uma construção megalomaníaca e lá se encontram uma exposição de armas brancas e armaduras medievais, uma pinacoteca com obras do pintor holandês Albert Eckhout, que veio ao Brasil durante o século 17 retratar paisagens e cotidiano, e uma biblioteca composta por obras raras que pertenceram ao historiador José Antônio Gonçalves de Mello e ao escritor Édson Nery da Fonseca

Instituto Ricardo Brennand - Recife

Manaus:

Teatro AmazonasMuseu do Teatro Amazonas – Construído nos estilos neo-clássico e art-noveau durante o ciclo da borracha, no final do século 19, o prédio possui em sua arquitetura ornamentos que fazem referências a compositores e dramaturgos clássicos como Mozart, Chopin, Rossini e Moliére.

Ok… vou parar por aqui… o resto é com vocês. Se alguém tiver alguma dica para dar, sinta-se a vontade para usar os comentários… afinal eles estão ai para isso mesmo

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Tiradentes – um destino, muitas opções

Posted on 23 August 2007 by Pedro Serra

Lago no alto da trilhaUma viagem a Tiradentes vale por muitas. Conhecida por ser uma das cidades mais preservadas em sua arquitetura histórica, suas casa antigas e igrejas banhadas a ouro atraem turistas de todo o Brasil, ávidos por conhecer o lugar onde morou Joaquim José da Silva Xavier, personagem da Inconfidência Mineira que dá nome à cidade. Mas esta é só uma das muitas atrações do lugar.

Uma das cidades mais importantes da Estrada Real, por onde era escoada toda a produção de metais e pedras preciosas do Brasil colônia, Tiradentes oferece trilhas, cachoeiras, piscinas termais, visitas à cavernas, rapel, passeios à cavalo, tudo isso sempre remetendo o visitante a um passado histórico.

Para os que não têm o espírito aventureiro e preferem o aconchego de um bom restaurante, Tiradentes é um conhecido póloMaria Fumaça gastronômico com excelentes opções, da comida mineira, claro, a “artealquimia” do Theatro da Villa, adepto do movimento slow food. O restaurante funciona em um anfiteatro e, se a comida demora, os shows musicais compensam. Impossível não citar também o Aluarte e sua “cozinha criativa”. O restaurante conta com um ofurô para os visitantes, que, mediante reserva, podem ser servidos ao mesmo tempo em que relaxam na água quente.

Com tanta coisa para fazer, pode ser difícil conseguir um tempo para visitar a vizinha São João del Rei, onde Tiradente realmente nasceu, mas vale a pena. Seu centro histórico guarda igrejas igualmente belas, inclusive uma com fachada esculpida por Aleijadinho. Mas talvez o melhor esteja na viagem, feita pela famosa Maria Fumaça que liga as duas cidades desde 1881, e que, com seu apito alto e agudo, a todo instante nos convida para um retorno ao passado.


2-marco-zero.jpgVamos às trilhas então… A principal da região começa no marco zero, ponto onde os escravos se reuniam para pegar a carga que iriam levar até Paraty, no Rio de Janeiro, para depois ser embarcada até Portugal. Minha aventura, porém, começou um pouco antes disso. Às sete da manhã fui chamado no hotel pela empresa que contratei para me guiar nas minhas andanças pela região. Estava animado, pois o nome da empresa – Jeep Tours – e seu logo – o desenho de um Jeep subindo uma rocha com valentia – deixaram a impressão de que aquele seria o meu meio de transporte. A minha decepção não poderia ter sido maior ao ver um Santana Quantum comum, cansado de rodar nas estradas de terra e paralelepípedo da cidade. Nada que estragasse meu dia, mas me senti como uma criança sem o presente de natal.

03-subida.jpgFinalmente no marco zero, após sacudir por uma meia hora, decepcionado, dentro do Santana, começamos a subir a trilha. Nosso falante e bem-humorado guia nos contava sobre o trajeto que iríamos percorrer – umas quatro horas no total, sendo apenas os 15 primeiros minutos de subida entre as rochas – e explicava um pouco sobre a história do local – o Rio das Mortes, visível por boa parte do início da trilha, ganhou este nome devido ao derramamento de sangue causado pela Guerra dos Emboabas. Enquanto subíamos, ao fundo ouvia-se o apito da Maria Fumaça.

04-lago.jpgChegando ao final da subida, a recompensa. Além da vista deslumbrante, um pequeno lago de água gelada nos aguardava para um mergulho, o primeiro de muitos que daríamos durante nosso passeio pelas trilhas de Tiradentes. Logo ao lado, por todo o chão podiam-se encontrar cristais, como estes que vendem em lojas esotéricas, perfeitos, como se tivessem sido lapidados pelo homem. Devo ter ficado uma meia hora andando curvado pela trilha, impressionado com a capacidade da natureza de criar algo tão impressionantemente belo. Recolhi dezenas deles, mas logo senti que o lugar deles era ali mesmo e escolhi o menor de todos para trazer comigo. Apenas um pequeno souvenir do local. Mais do que suficiente para que, do meu apartamento no meio de Copacabana, eu me lembre todos os dias naquele lugar mágico.

05-calcada-dos-escravos.jpgDois pontos históricos da trilha me fizeram pensar em como deveria ser viver na época da exploração do ouro em Tiradentes, com milhares de escravos garimpando de um lado e outros tantos trabalhando como burros de carga, transportando o metal até Paraty. Tanto o muro quanto a calçada construída por eles são passagem obrigatória e merecem muito mais do que um olhar desinteressado. Merecem um momento de reflexão.

06-muro-dos-escravos.jpg

Cachoeira no alto da trilha dos escravos

Logo depois deste momento-reflexão, mais cachoeiras. Apesar da água gelada, é impossível não mergulhar, até pelo cansaço e suor provocados pela andança na trilha. Nosso guia, que deveria estar acostumado, por duas vezes ficou apenas observando enquanto os cariocas se esbaldavam. Ele não acreditou quando eu afirmei que a água do mar nas praias do Rio às vezes chegam a ficar tão frias quanto lá. Enquanto ele achava que éramos malucos, eu recuperava as energias para o restante da trilha que nos levaria de volta à cidade.

Durante todo o percurso vi marcas de pneus de moto, e cheguei a ouvir os motores ao longe. Para quem prefere fazer trilhas em duas rodas, o lugar é perfeito, cheio de passagens, subidas e descidas íngremes. Fiquei tentado a, um dia, fazer o percurso em duas rodas. A ver.

Voltamos para a pousada exaustos, mas já pensando na aventura que nos esperava no dia seguinte: explorar uma caverna e fazer rapel.

08-casa-de-pedra.jpgA gruta da Casa de Pedra fica entre Tiradentes e São João del Rei e, por 20 reais, o visitante tem direito a um tour guiado pelo local, além de descer de rapel uma das rochas adjacentes, de aproximadamente 10 metros. Para um iniciante como eu, a altura estava mais do que suficiente. Fizemos primeiro o tour pela caverna, onde já estiveram Dom Pedro II e Olavo Bilac, cujo texto sobre o local ilustra o panfleto de apresentação entregue aos visitantes. Devidamente paramentado com meu capacete com lamparina movida a óleo, iniciei, ao som dos morcegos, meu passeio pelos escuros corredores e salões da caverna. O guia, além das informações históricas e geológicas, nos deixou bem informados sobre todos os “causos” do lugar. O alerta para não tocar em nada, que era dado ao fim de cada explicação, tinha dois motivos. O primeiro era não destruir as formações geológicas que levam centenas de anos para se formar. O segundo, não se sujar com o cocô dos morcegos, que está por toda a parte.

Todos aguardavam o final do passeio com ansiedade. Alguns pareciam claustrofóbicos, outros, pouco interessados nas explicações geológicas e “causos” contados por nosso guia, as meninas pareciam ter ficado incomodadas com os alertas sobre o cocô de morcego. Para mim, o motivo era outro: finalmente iria estrear no rapel.

Rapel na Casa de Pedra

Para chegar ao alto da rocha de onde faríamos a descida, tínhamos que fazer uma pequena trilha, onde enormes urubus rugiam como leões para nós. Um pouco ameaçador, mesmo para um flamenguista como eu. Mas, passando esta parte, o resto foi só adrenalina e alegria. Descer, mesmo que de uma altura não muito elevada, foi emocionante. Logo ao chegar ao chão, já queria fazer de novo. Fiquei sabendo que em São João Del Rei havia um mais alto, de uns 30 ou 40 metros, e já queria ir para lá. Infelizmente nossa estadia na cidade já estava chegando ao fim e o longo caminho de volta para o Rio de Janeiro nos aguardava. Espero voltar à cidade em breve, da próxima vez, pilotando a minha moto. Todo ano, em julho, acontece a Tiradentes Bike Fest, um festival de motos clássicas. Ano que vem, estarei lá.

Dicas de hospedagem, atrações, restaurantes:

Guia Tiradentes

Guia Quatro Rodas

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