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Semana Santa em Paraty – 1º dia

Posted on 06 April 2010 by Pedro Serra

Estava com vontade de ir a Paraty desde que, na Semana Santa de 2007, visitei Tiradentes e conheci a Estrada Real, por onde os escravos transportavam o ouro que seguiria para Portugal na época do Brasil Colônia. A cidade mineira era o ponto de partida da rota do metal, que era carregado nas costas por 1.200 quilômetros de caminhos de pedra até sua irmã aqui no Rio de Janeiro e embarcada em navios. A viagem durava cerca de 95 dias. Em 1707, porém, com a abertura de um novo caminho, Paraty deixou de ser o porto de saída do metal, passou a se dedicar à produção de cachaça, ainda teve um boom econômico com o ciclo do café, mas, em 1888, com a abolição da escravatura, a cidade foi simplesmente esquecida, e sua população de 16 mil habitantes reduzida a pouco mais de 600.

Paraty ao anoitecer - Foto: Pedro Serra

Paraty ao anoitecer - Foto: Pedro Serra

Esse esquecimento permitiu que a cidade, com construções que datam do século XVI, mantivesse sua arquitetura preservada, e é exatamente aí que está o seu charme. O redescobrimento só veio nos anos 70, com a abertura da estrada Rio-Santos, permitindo que uma horda de turistas de todas as partes do mundo visitassem a cidade.

Depois dessa pequena aula de história patrocinada pelo Google, vamos ao relato da viagem, uma das melhores que fiz em muito tempo. Recentemente fiz viagens que vão ficar para sempre guardadas na memória, como Cancun, Nova York, Califórnia, Buenos Aires e até o sertão da Bahia, onde fui fazer uma investigação sobre pedofilia para o jornal onde trabalho e conheci uma realidade totalmente diferente. Mas Paraty foi especial.

Paraty ao amanhecer - Foto: Pedro Serra

Paraty ao amanhecer - Foto: Pedro Serra

Aproveitando que minha mulher e meu filho embarcaram para Paris e Amsterdam, resolvi voltar as origens, ou seja, ficar em albergue, gastar pouco e fazer muito. O hostel escolhido foi o Misti Chill, premiado em 2008 com o “Best Atmosphere Award” do site Hostel Bookers. O preço, R$ 135 por quatro noites em um quarto com seis camas, ficou muito abaixo do que eu pagaria em um quarto de pousada, se estivesse viajando com a família (cerca de R$ 200 a diária). Arrumei dois amigos aventureiros, Fábio e Seth, um americano radicado no Rio de Janeiro há apenas dois meses e lá fomos nós.

Por coincidência, viajei para Paraty exatamente na mesma época que estive em Tiradentes, a Semana Santa. Chegamos na quita-feira à noite, após enfrentar uma Rio-Santos marcada pelos recentes deslizamentos de terra causados pela chuva. No nosso primeiro passeio, nos deparamos com a Procissão do Fogaréu, onde todos carregam tochas pela cidade acompanhando uma imagem de Jesus e pessoas vestidas como soldados romanos, simbolizando a prisão de Cristo. A visão da cidade toda apagada, iluminada apenas pelas tochas dos fiéis entoando os seus hinos religiosos realmente é de arrepiar.

Paraty - Procissão do Fogaréu - Foto: Pedro Serra

Procissão do Fogaréu - Foto: Pedro Serra

Paraty - Procissão do Fogaréu - Foto: Pedro Serra

Procissão do Fogaréu - Foto: Pedro Serra

Paraty - Procissão do Fogaréu - Foto: Pedro Serra

Procissão do Fogaréu - Foto: Pedro Serra

No dia seguinte, acordamos cedo para aproveitar o dia, que começou com um mergulho na Ilha dos Ratos e outro na Ilha Comprida. A saída com a operadora Adrenalinha Mergulho, indicada pelos amigos da Xdivers, ficou em R$ 90, mais R$ 20 por peça de equipamento alugado. Para o gringo, que foi apenas acompanhar, o passeio saiu a R$ 60. Na primeira descida, água quente, boa visibilidade e alguma vida marinha, com peixes, moréia, arraia. Na segunda, a visibilidade caiu muito, em alguns trechos, eu não enxergava um palmo na frente do meu nariz, me perdi do meu dupla, mas, mesmo assim, me diverti. Para mim, o importante é estar debaixo d’água, o resto é o resto. Depois do mergulho, ainda apreciamos o passeio de barco de volta a Paraty, observando aquela paisagem que mistura o azul esverdeado do mar da região com o verde das montanhas.

Paraty

O segundo destino do dia era a praia de Trindade, mas pegamos uma carona com o acaso e acabamos em uma belíssima cachoeira, à beira da Rio-Santos. O fato é que nos perdemos, passamos a divisa para São Paulo e, quando procurávamos um lugar para retornar, demos de cara com a Cachoeira da Estrada, uma queda d’água belíssima a cerca de 30 quilômetros de Paraty. Nem vou descrever o local… uma imagem vale mais do que mil palavras. Assista abaixo o vídeo do primeiro dia de viagem (melhor visto em tela cheia, no modo HD).


Após lavar a alma (e o nosso equipamento de mergulho) na cachoeira, seguimos finalmente para Trindade. A cidadezinha surge, lotada de turistas, hippies e famílias, no meio do nada após cerca de 30 minutos em uma estradinha íngrime, sinuosa, e cercada de verde por todos os lados. É aqui também que começa a trilha para a Praia do Sono, famosa por sua beleza. Pegamos uma mesinha na areia, pedimos algo para beber e comer, e simplesmente apreciamos a bela vista proporcionada por aquela mistura de cores que eu já citei, apenas acrescida dos tons de amarelo do pôr do sol.

Trindade - Foto: Pedro Serra

Trindade - Foto: Pedro Serra

Trindade - Foto: Pedro Serra

Trindade - Foto: Pedro Serra

À noite, voltamos para mais um passeio pela cidade, entrando nas diversas lojas de artesanato, móveis, objetos de arte e tudo o que você possa imaginar. O jantar acabou sendo um pastel de 30 centímetros, famoso na cidade, que eu e o Seth odiamos, mas que, a julgar pela cara de satisfação do Fábio e pela lotação do lugar, devia estar uma delícia.

O pastel gigante - Foto: Pedro Serra

O pastel gigante - Foto: Pedro Serra

Comércio de Paraty - Foto: Pedro Serra

Comércio de Paraty - Foto: Pedro Serra

No passeio, ainda pudemos ver os passos com suas portas abertas. Esses passos são como pequenos altares, que representam o caminho de Cristo até a crucificação e passam o ano todo fechados, podendo ser vistos apenas durante a Semana Santa.

Passos - Foto: Pedro Serra

Paraty - Passos - Foto: Pedro Serra

Passos - Foto: Pedro Serra

Passos - Foto: Pedro Serra

Veja mais fotos no Flickr do Sem Destino

Leia sobre o segundo dia de viagem a Paraty e assista ao vídeo com o passeio de barco ao Saco do Mamanguá.

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Os museus do Brasil

Posted on 05 September 2007 by Pedro Serra

Confesso que conheço mais museus fora do que dentro do Brasil. Não, não é nada do que me orgulhar. Afinal sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor. Mas acredito que isso tem dois motivos. O primeiro é que, quando viajamos, queremos conhecer mais esse tipo de lugar. E tendo morado nos Estados Unidos e feito um tour pela Europa, museus é que não faltaram para mim lá fora. O segundo é que os museus brasileiros, muitas vezes, não empolgam muito.

Recentemente estive em Tiradentes e fiquei decepcionado ao visitar o Museu Padre Toledo. O Padre foi um dos Inconfidentes e a casa era uma das mais ricas da então Vila de São José Del Rei. Mas o museu conta com uma meia dúzia de peças envelhecidas e não conta muito a história do que aconteceu ali. Eu logo fiz uma comparação com o museu da Batalha de Gettysburg, na Pennsylvania, EUA, onde o museu, na verdade, é a cidade inteira. No que foi o campo de batalha, há pessoas vestidas como na guerra. Na casa do museu propriamente dito, há mapas explicativos, objetos, roupas da época, gravuras, etc, etc, etc, contando tudo o que aconteceu, como aconteceu, porque aconteceu e quando aconteceu. Ok, o investimento lá é muito maior. Mas nós temos criatividade… Tiradentes recebe milhares de visitantes por ano, não deveria se basear apenas na arquitetura e na Maria Fumaça para entreter seus visitantes, deveria contar um pouco melhor sua história.

Menino com Peão - Reynaldo FonsecaQuanto à arte, temos excelentes artistas nacionais… Candido Portinari, Di Cavalcanti, Tarsila do Amaral e muitos, muitos outros. Eu sou primo (de segundo grau) de dois grandes pintores pernambucanos de projeção internacional. Qualquer apartamento dos membros da minha família é uma verdadeira exposição de obras de Reynaldo Fonseca e Lucia Helena. Cresci vendo seus quadros. Reynaldo foi aluno de Candido Portinari e me lembro de, durante minha infância, ter medo de andar pela sala à noite por causa dos olhos nos quadros, que seguiam meus passos.

Leque - Reynaldo Fonseca

Quadros de Reynaldo Fonseca. À direita, Menino com Peão, à esquerda, Leque.

Mas vamos aos museus então…

A página Guia dos Museus tem links para os principais museus do Brasil, dividido por estados. Infelizmente o cara que fez a página quis ganhar uns trocados e colocou alguns pop-ups… mas se você usa um bloqueador, não deve ter problemas. Tentei localizar outras páginas, mas nenhuma era tão completa ou estava tão atualizada com os links… mesmo nesta página, muitos dos links estão quebrados, então você tem que se virar para achar… eu tentei aqui dar uma ajudinha, colocando sempre os links para páginas mais completas quando o Guia dos Museus falhava.

Aqui vão algumas dicas de museus que visitei ou que acho interessante:

Rio de Janeiro:

Urutu - Tarsila do AmaralMAM – Museu de Arte Moderna – Um incêndio em 1978 destruiu boa parte de um acervo que contava com peças de Picasso, Salvador Dali, Miró, Max Ernst, entre outros. A solidariedade de artistas, governos e colecionadores ajudou o museu a voltar a funcionar, mas foi a doação de Gilberto Chateaubriand, em 1993, que realmente colocou o museu de volta à cena. Hoje o MAM conta com em seu acervo com obras de Anita Malfatti, Tarsila do Amaral (o Urutu, imagem à direita), Lasar Segall, Di Cavalcanti, Ismael Nery, Vicente do Rego Monteiro, Cândido Portinari, Pancetti, Goeldi e Djanira, além de uma grande exposição de mais de quatro mil obras de fotógrafos brasileiros e exposições temporárias.

MAC NiteróiNiterói:

MAC – Museu de Arte Contemporânea – O prédio do museu já é uma obra de arte. Projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer, parece um disco voador, emoldurado pela Bahia de Guanabara, com uma belíssima vista para o Rio de Janeiro. O acervo do MAC conta com 369 obras próprias e 1.217 obras da coleção de João Sattamini, que incluem artistas como Hélio Oiticica, Amílcar de Castro, Carlos Vergara, entre outros.

Petrópolis:

Museu Imperial – O museu é a antiga casa de verão de Dom Pedro II, na cidade por ele criada com um nome que o homenageia. Petrópolis, a cidade de Pedro. Documentos, móveis e objetos fazem parte do acervo, além do próprio palácio e seus muitos quartos. Uma das curiosidades é que o visitante tem que calçar pantufas para andar pelo museu, para não estragar o chão de madeira. É comum vê-los deslizando pelos cômodos. O museu também oferece um show, que ilumina o palácio de diferentes formas ao som de música.

São Paulo:

A Estudante - Anita Malfati (MASP)MASP – Museu de Arte de São Paulo – Outro que tem o prédio como uma obra de arte. O forte de seu acervo está nas obras francesas e italianas. O museu possui a maior e mais completa coleção de obras de arte ocidental da América Latina. No lado dos Italianos, podemos citar obras de Sandro Botticelli, Paolo Veronese, Alessandro Magnasco, Giovanni Boldini, entre muitos outros. Entre os franceses, nomes como Nicolas Poussin, os impressionistas Manet, Degas, Cézanne, Monet e Renoir, o fauvista Matisse e o cubista Picasso. Também estão lá obras de Max Ernst, Goya e meus favoritos Miro e Van Gogh. Ahhh… tem brasileiros também. Esculturas de aleijadinho, pinturas de Portinari, Lasar Segal, Anita Malfatti(A Estudante, imagem à direita), Di Cavalcanti. Tem ainda arte asiática, africana, inglesa, americana… fotografia, arqueologia, moda e vestuário, biblioteca… uff uff uff.

Paisagem - Tarsila do Amaral (MAM-SP)MAM – Museu de Arte Moderna – Apesar de se autodenominar de arte moderna, o museu reúne um acervo de quatro mil obras de arte contemporânea brasileira, entre elas, pinturas de Candido Portinari, Emiliano Di Cavalcanti, Tarsila do Amaral (Paisagem, imagem à esquerda) e Victor Brecheret.

Belo Horizonte:

MAP – Museu de Arte da Pampulha – Mais um prédio projetado por Oscar Niemeyer, centro do denominado “conjunto arquitetônico da Pampulha”, proposto por Juscelino Kubitscheck. Seus jardins foram projetados por Burle Marx e conta com esculturas de August Zamoyski, José Pedrosa e Alfredo Ceschiatti. O museu se destaca mais por organizar exposições de arte contemporânea do que por seu acervo, mas conta com obras de Portinari, Di Cavalcanti e Alfredo Volpi.

Recife:

Instituto Ricardo Brennand – Um castelo Medieval no meio de Recife já é o suficiente para instigar uma visita a este museu. Mas a visão de Ricardo Brennand era maior do que apenas uma construção megalomaníaca e lá se encontram uma exposição de armas brancas e armaduras medievais, uma pinacoteca com obras do pintor holandês Albert Eckhout, que veio ao Brasil durante o século 17 retratar paisagens e cotidiano, e uma biblioteca composta por obras raras que pertenceram ao historiador José Antônio Gonçalves de Mello e ao escritor Édson Nery da Fonseca

Instituto Ricardo Brennand - Recife

Manaus:

Teatro AmazonasMuseu do Teatro Amazonas – Construído nos estilos neo-clássico e art-noveau durante o ciclo da borracha, no final do século 19, o prédio possui em sua arquitetura ornamentos que fazem referências a compositores e dramaturgos clássicos como Mozart, Chopin, Rossini e Moliére.

Ok… vou parar por aqui… o resto é com vocês. Se alguém tiver alguma dica para dar, sinta-se a vontade para usar os comentários… afinal eles estão ai para isso mesmo

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