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Guerra no Rio de Janeiro

Posted on 26 November 2010 by Pedro Serra

Sempre tive o sonho de ser correspondente de guerra, mas nunca achei que fosse acabar fazendo isso tão perto da minha casa. Começou com um ônibus queimando bem na minha frente enquanto eu ia para o jornal onde trabalho. Pude acompanhar todo o trabalho dos bombeiros, o desespero dos moradores, a preocupação da polícia e a adrenalina dos colegas repórteres e fotógrafos (assista aos vídeos no final do post).

onibus queima no Rio Comprido

onibus queima no Rio Comprido - Foto: Pedro Serra

onibus queima no rio de janeiro - Pedro Serra

Mas esse era só o começo. Ao chegar no jornal, arrumei o equipamento e me enfiei no primeiro carro de reportagem que encontrei a caminho da Vila Cruzeiro, onde a ação realmente estava. Tendo pouca experiência no assunto, cheguei no local e fiquei observando o movimento, ouvindo os tiros ao longe, vendo os policiais se preparando para entrar na favela. Logo me senti mais seguro para começar a minha incursão na comunidade. Aproveitei o deslocamento de alguns policiais e segui a fila indiana. Porém, na primeira encruzilhada, eles foram, e eu fiquei. Ouvi alguns tiros e me toquei de que os policiais estavam com coletes à prova de balas, eu não. Esperei a onda de tiros passar, colei em um fotógrafo italiano, e seguimos para o front.

Entrada da Vila Cruzeiro - Foto: Pedro Serra

Entrada da Vila Cruzeiro - Foto: Pedro Serra

Vila Cruzeiro - Foto: Pedro Serra

Foto: Pedro Serra

Logo o colega italiano ficou para trás, e eu cheguei em um lugar onde estávamos apenas eu, um repórter e um fotógrafo do meu jornal, além de um fotógrafo do Globo e um do Dia. E foi ali, abaixado atrás de um muro, ouvindo tiros para todos os lados, que eu realmente me senti em uma guerra. Carcaças de carros e caminhões queimavam pela rua, motos jogadas no chão, marcas de balas em todas as paredes, janelas, portões. As ruas desertas, o silencio mortal que só era cortado pelos tiros…

Caminhão queimado na entrada da favela - Foto: Pedro Serra

Caminhão queimado na entrada da favela - Foto: Pedro SerraVila Cruzeiro - Foto: Pedro SerraFoto: Pedro SerraPronto para a guerraPronto para a guerraPronto para a guerra

Aos poucos a situação foi se normalizando, os tiros diminuindo e as pessoas reaparecendo nas ruas. Era possível ver o medo e o espanto dela ao verem o que tinha acontecido na rua. A guerra de ontem espantou até uma comunidade já acostumada aos confrontos entre traficantes e polícia. No fim, fiquei feliz por ter feito bem o meu trabalho e, principalmente, ter voltado para casa inteiro.

Assista:

Veja mais fotos no Flickr do Sem Destino

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Turismo na favela – Santa Marta – Rio de Janeiro

Posted on 15 October 2010 by Pedro Serra

O Santa Marta foi o primeiro morro do Rio de Janeiro a sofrer o processo de pacificação no Rio de Janeiro. Se antes disso já atraia cerca de 30 turistas por dia, agora, com a segurança da presença policial e da ausência de traficantes armados até os dentes, entrou definitivamente no roteiro turístico da cidade. Parada obrigatória para todos que quiserem não só conhecer de perto a vida dos cariocas além da praia, mas também para os que procuram um ângulo inusitado da cidade, com algumas das mais belas vistas que o Rio tem para oferecer (assista ao vídeo da minha visita à favela no final deste post)

Praça Cantão - Santa Marta, Rio de Janeiro

Praça Cantão - Santa Marta, Rio de Janeiro - Foto: Pedro Serra

Preparando-se para a nova leva de turistas que ameaça invadir o morro (o número passou agora para 200 por dia), o Governo do Estado lançou o mês passado o programa Rio Top Tour no Santa Marta. Com a iniciativa, a comunidade ganhou placas para os turistas, além de guias turisticos e monitores da própria comunidade. Para utilizar, basta chegar no pé do morro e pedir pelo guia, que é gratuito (os monitores aceitam gorjeta, os guias, não).  

Subida no plano-inclinado - Santa Marta, Rio de Janeiro - Foto: Pedro Serra

Subida no plano-inclinado - Santa Marta, Rio de Janeiro - Foto: Pedro Serra

O passeio começa pelo plano inclinado, uma espécie de bondinho que transporta os moradores para a parte alta do morro (e que também é gratuito). Já no começo do caminho até a última estação, pode ser ver o Rio de Janeiro surgindo conforme o carrinho vai subindo vagarosamente. Chegando lá em cima, saindo bem em frente ao campinho de futebol, você já sente aquele clima de favela. No domingo que eu fui, o churrasco com funk e pagode comia solto, com dois times se enfrentando no campo e as meninas dançando e bebendo do lado de fora. Deu vontade de gritar “de fora” e esperar minha vez na lateral.   

Futebol no campinho - Santa Marta, Rio de Janeiro - Foto: Pedro Serra

Futebol no campinho - Santa Marta, Rio de Janeiro - Foto: Pedro Serra

Mas continuamos, eu e o monitor Fumaça, “32 anos de Santa Marta”. As novas placas, em inglês e português, indicavam o caminho para a UPP (Unidade de Polícia Pacificadora), um prédio grande bem no alto do morro, e o Mirante do Pedrão, na descida da favela pelo outro lado do morro. Quinhentos metros de caminhada e, por entre as árvores, apareceu uma das mais belas vistas do Rio de Janeiro, com o Pão de Açucar, a Baía de Guanabara, o Centro e a Ponte Rio-Niterói. Paramos alí para conversar um pouco e aproveitei para me inteirar um pouco sobre a história do morro e de Fumaça.  

Fumaça no Mirante do Pedrão - Futebol no campinho - Santa Marta, Rio de Janeiro - Foto: Pedro Serra

Fumaça no Mirante do Pedrão - Santa Marta, Rio de Janeiro - Foto: Pedro Serra

Voltamos para dentro da favela para começar a nossa descida, sempre “vigiados” pelo Cristo Redentor, que parece abraçar a comunidade. Lá embaixo, os prédios de Botafogo e o trânsito caótico da cidade, em miniatura. Andar por entre os barracos é se embrenhar em uma realidade que, para muitos de nós, só aparece em filmes. Eu já estive em muitas favelas pode dentro, já fui a baile no Tabajaras, fazia boxe no alto do Pavão-Pavãozinho, mas ali era diferente. Me sentia mais livre por saber que não teria que dar de cara com uma meia dúzia de traficantes armados. A cada virada nas estreitas vielas, ganhava um aceno de cabeça, um “bom dia”, um sorriso. Fui convidado por Fumaça a conhecer sua casa, sua família, a coleção de relógios de sua mãe…  

Painel de Michael Jackson por Romero Britto - Santa Marta, Rio de Janeiro - Foto: Pedro Serra

Painel de Michael Jackson por Romero Britto - Santa Marta, Rio de Janeiro - Foto: Pedro Serra

Estátua de Michael Jackson no Santa Marta, Rio de Janeiro - Foto: Pedro Serra

Estátua de Michael Jackson no Santa Marta, Rio de Janeiro - Foto: Pedro Serra

Chegamos então ao ponto alto do passeio, a mundialmente famosa Laje do Michael Jackson. Foi ali que em 1996 o rei do pop gravou o clipe de “They don´t really care about us”, e desde então a comunidade criou uma relação com o ídolo, como se ele tivesse nascido ali, como se fosse parte deles. Um ano após a morte do cantor, o Governo do Estado inaugurou uma estátua de bronze e um painel, feito por Romero Britto, um dos meus artistas favoritos, homenageando-o. Quando eu cheguei lá, a laje estava cheia, com pessoas da própria comunidade tirando fotos com o Michael de bronze, e crianças imitando seus passos de dança.  

Cristo Redentor, braços abertos sobre o Santa Marta, Rio de Janeiro - Foto: Pedro Serra

Cristo Redentor, braços abertos sobre o Santa Marta, Rio de Janeiro - Foto: Pedro Serra

Continuamos nossa descida, passamos por outros tantos pontos de interesse, mas o melhor mesmo é ver o dia a dia no morro, os sorrisos, ouvir as histórias e, claro, desfrutar da vista deslumbrante que o pessoal da comunidade tem. Se você está de viagem marcada para o Rio de Janeiro, separe 2h, 3h para fazer esse passeio inesquecível. Outros morros do Rio de Janeiro, como os já citados Tabajaras e o complexo Pavão-Pavãozinho e Cantagalo, também estão pacificados e devem começar a oferecer serviços de guia em breve. Fiquem de olho, pois pretendo visitar todos e voltar aqui para contar para vocês. 

Assista ao vídeo da visita ao Santa Marta:

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Um dia na favela

Posted on 14 October 2010 by Pedro Serra

O Sem Destino aproveitou o dia 10.10.2010 para subir o morro da favela Santa Marta e mostrar o dia na comunidade. As imagens foram feitas para o projeto “One day on earth”. Aguardem que em breve coloco todas as informações sobre o roteiro, um dos melhores passeios para quem quer um ângulo inusitado do Rio de Janeiro.

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Réveillon na favela – Morro da Mineira vira Copacabana, com 20 minutos de fogos e tiros

Posted on 02 January 2009 by Pedro Serra

Pedro Serra

Queima de fogos no Morro da Mineira. Foto: Pedro Serra

Pois é… passei o réveillon trabalhando no jornal, mas isso não quer dizer que eu não tenha me divertido. Desde que filmei uma queima de fogos no morro da Mineira, fiquei empolgado para ver o que os caras iam fazer para o réveillon. Então, no dia da virada, peguei a câmera e fui para o terraço de um prédio. O meu palpite estava certo e a festa da virada na favela durou aproximadamente 20 minutos e deixou para trás muitos bairros da Zona Sul, como Ipanema, Lagoa e Flamengo, que nem comemoraram o réveillon (clique para ler o meu post sobre a virada no Rio de Janeiro – ‘Réveillon em Copacabana: fogos, fumaça, briga, tiros e lixo… muito lixo’)

Entre uma explosão e outra, podiam-se ouvir tiros e ver as balas traçantes cruzarem o céu. Eu e o segurança do prédio que me acompanhou (sim, passei o meu réveillon ao lado de um segurança de dois metros de altura enquanto a minha mulher e meu filho curtiam na Barra) ficamos escondidos atrás de uma pilastra com medo de um daqueles tiros vir em nossa direção.

semdestino_mineira2Tentei mostrar o melhor que pude o barulho e os traçantes no vídeo, mas acho que no YouTube perdeu um pouco a qualidade. Mas é só procurar pelos riscos vermelhos. Ahh… e como eu sei que eram tiros e não fogos??? Bom, os fogos estouram quando chegam a uma certa altura, as balas continuam indo, até achar alguma coisa que as pare.Só espero que não tenha sido o corpo de alguém. A diferença do barulho entre tiros e fogos também é fácil de perceber… os tiros são mais agudos.  No final do vídeo, fiz uma colagem só com as balas voando.

Assista ao vídeo -

YouTube Preview Image

Vieram me perguntar se eu não tinha medo de represálias por parte dos traficantes. A resposta é não. Primeiro porque a festa podia ser vista de qualquer canto da cidade do lado de lá do Túnel Rebouças. Segundo porque eu não estava filmando os caras vendendo drogas ou matando. Aliás, filmei de longe e nem dá para ver ninguém.

E você, o que achou do vídeo? Clique e deixe o seu comentário.

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