Tem coisas que só o jornalismo faz por você. Quando eu poderia imaginar que voaria a praia de Copacabana, de cabeça para baixo, em um aviãozinho da Red Bull Air Race. Pois bem, na semana retrasada foi isso que eu fiz, graças a um crachá no peito e muita cara de pau. Assim que recebi os primeiros releases sobre a corrida aérea no Rio de Janeiro, já enviei um email para o pessoal da assessoria de imprensa falando sobre algumas pautas e, no meio, perguntei sobre a possibilidade do voo. Detalhe, ainda faltava quase um mês para o evento. Me surpreendi com a velocidade do “claro, vamos marcar” que eu recebi do pessoal… tanto que nem acreditei, e enchi o saco dos caras com emails sobre o passeio. (Assista aos vídeos no final do post)
No dia, fui o primeiro a chegar (meu voo estava marcado para as 8h) e o último a decolar (por causa do tráfego aéreo no aeroporto Santos Dummont, a pista só foi liberada às 14h). Durante a espera, encontrei com o Di Ferrero, vocalista do NX Zero, que também ia fazer o media flight. Como ele tinha compromissos (e eu precisava de uma cobaia), deixei-oir na minha frente. Logo depois apareceu o Marcelo Barreto, do Sportv, que também pediu encarecidamente para passar na minha frente. Sem problemas… aproveitei para colher algumas informações quando eles voltaram, o que me tranquilizou. Estranhamente, eu não estava nervoso, nem com medo, nem ansioso. Esperei pacientemente pelo retorno das minhas cobaias, tomei um Red Bull, belisquei alguma coisa no belo buffet oferecido aos jornalistas (só não pude comer muito, sob o risco de colocar tudo para fora no primeiro looping).
Finalmente chegou a minha vez. Colocar o macacão, o colete salva-vidas e… o paraquedas. Aliás, pior do que colocar o paraquedas foi ouvir as instruções do piloto espanhol Sergio Pla: “Se eu gritar pula, pula, pula… é para pular. Pelo menos é isso que eu vou fazer”, disse ele, enquanto me explicava como me soltar do cinto, me jogar do avião e abrir o paraquedas. Outra coisa que me preocupou foi a manete de abertura da cabine, que ficava estrategicamente posicionado ao lado do botão para tirar fotos da câmera do avião (que seria operada por mim). Fiquei me imaginando apertando o botão errado e voooooshhh!!!
Finalmente decolamos… o aeroporto foi ficando pequeno, passamos o Pão de Açucar e logo estávamos sobre a praia de Copacabana. “estas listo, Pedro?”, perguntou o piloto, e antes que eu pudesse responder, já estávamos mergulhando sobre o Forte do Posto 6, onde foi instalado um gate igual ao da competição para que nós pudéssemos ter a mesma sensação que os pilotos… bom, mais ou menos a mesma sensação, porque os profissionais chegam a aturar forças de até 12G, enquanto eu cheguei a uns 6G, no máximo. E olha que não é pouco, a cada descida e subida, tinha que apertar a perna e a barriga e respirar forte para não ver o meu sangue descer todo para o dedão do pé e eu desmaiar.
Após três passagens pelo gate, chegou a hora do grande looping. Sergio guiava o meu olhar, para que eu sempre tivesse um horizonte e não me perdesse entre o céu e a terra. “mira a la derecha, delante, detrás”… enquanto isso, eu via o horizonte girando, a praia de Copacabana virando céu e, vagarosamente, voltando para o seu devido lugar. Foram dois desses, com algumas variações e um pouco mais de emoção no segundo. Com o calor da cabine, os loopings e a força G, meu corpo já dava sinais de desgate… era chegada a hora de voltar.
Antes, porém, demos algumas voltas ao redor do Cristo Redentor, enquanto esperávamos pela liberação da pista de pouso. Passamos tão perto que, quando dei um tchauzinho para os turistas, eles efusivamente acenaram de volta. Pista liberada, pouso tranquilo (se é que se pode chamar de tranquilo um pouso de lado. Como a frente do avião é mais alta, os pilotos pousam praticamente na perpendicular, para poder ver a altura da aeronave. No último segundo, eles corrigem e tocam o solo). Nesse momento eu já estava bufando dentro do avião, pronto para estender a mão e pegar o famoso saquinho para depositar o almoço… felizmente não foi necessário. Desci do avião com a certeza de ter vivido uma experiência única, além de ter causado a inveja de boa parte dos meus amigos e seguidores do Twitter, que acompanharam a aventura em tempo real.
Assista ao vídeo do passeio:
Matéria que eu fiz com Di Ferrero, do NX Zero, e Marcelo Cordeiro, do Sportv, que também voaram:












