Falei muito nos cruzeiros universitários no ano passado, ainda mais depois que uma morte manchou a temporada. Até hoje recebo centenas de visitas ao post, com comentários falando bem e mal das viagens. Realmente não posso emitir uma opinião, já que nunca fui, e por isso gosto tanto de ler o que as pessoas têm a dizer sobre o assunto. Essa semana, me surpreendi ao ler a matéria do repórter Marcelo Gomes, do Jornal Extra, que fez um belo trabalho ao passar três dias embarcado com a garotada e depois contar para a gente. Se eu esperava uma reportagem no estilo “Fantástico”, que no ano passado filmou a venda de drogas em um dos cruzeiros, o que acabei encontrando foi um texto imparcial e descritivo, relatando as partes boas e ruins de uma festa onde todos pareciam se divertir. Leia, abaixo, o texto de Marcelo Gomes publicado no site do Extra e clique aqui para assistir ao vídeo:
“Os cruzeiros temáticos se tornaram tradição no verão e 35% destas viagens incluem o Rio no roteiro. Cada vez mais turistas participam de viagens específicas de dança, gastronomia, moda e música. Um dos mais tradicionais é o Cruzeiro Universitário, que em 2009 teve sua 6ª edição.
Vinte e quatro horas de música por dia, regadas a muita bebida e azaração. É isso que atrai milhares de jovens todos os anos para o Cruzeiro Universitário. Em 2009, cerca de 2 mil pessoas participaram do passeio, realizado entre os dias 16 e 19 de dezembro. O navio MSC Opera saiu do Píer Mauá em direção a Búzios e Ilhabela, em São Paulo, de onde retornou ao Porto do Rio.
Apesar do forte aparato tecnológico para evitar a entrada de bebidas e drogas no navio — com duas máquinas de raios-X, dois detectores de metal e um de calor —, não era difícil encontrar passageiros que conseguiram burlar a fiscalização. Ao contrário do álcool, o consumo de entorpecentes (ecstasy e LSD, principalmente) era discreto, e não em público. A combinação explosiva pode ter sido a causa da morte da estudante Isabella Baracat Negrato, de 20 anos, durante o Cruzeiro Universitário de 2008.
O navio MSC Opera possui, entre outras coisas, discoteca, cassino e dez bares, mas o “point”, sem dúvida, era a piscina. Dois bares na área de lazer “abasteciam” os foliões durante todo o dia com muita cerveja, vodca com energético e champanhe, que foram as bebidas mais procuradas. A pegação, que começava na piscina, se estendia às cabines…
A programação musical do cruzeiro incluiu vários DJs, além de atrações como Seu Jorge, Araketu, Banda Eva e Grupo Revelação. A banda de axé Chiclete com Banana e a dupla sertaneja João Bosco e Vinícius se apresentaram em Búzios, num campo próximo à Rua das Pedras. A micareta reuniu os passageiros dos navios MSC Opera e MSC Lirica, que partiu do Porto de Santos, em São Paulo. O hit do cruzeiro foi a música “I gotta feeling”, do grupo americano Black Eyed Peas: a música era tocada durante todo o dia.
Comida liberada, bebida cara
O MSC Opera é um navio de bandeira italiana e, por isso, os preços eram cobrados em dólar. Os ingressos do cruzeiro variavam entre R$ 1 mil — para mulheres numa cabine quádrupla — até R$ 2 mil — para homens numa suíte master dupla. A comida era liberada (havia cinco refeições por dia), mas os preços das bebidas eram salgados: um lata de cerveja custava 2 dólares (cerca de R$ 3,50), e uma garrafa de champanhe, 15 dólares (cerca de R$ 27).
Apesar do passeio se chamar “Cruzeiro Universitário”, curiosamente a maioria dos passageiros tinha entre 25 e 35 anos (quando normalmente as pessoas já são formadas). Havia gente de vários estados do país, como RJ, ES, MG, BA, SE, PE, etc. O público era majoritariamente de classes média e média-alta.
Já a tripulação era de várias nacionalidades: Indonésia, Índia, Itália, Brasil, Honduras, Bulgária etc. Muitos deles não compreendiam português.”








