Após cobrar pelo check-in, pelas bagagens, pelo lanche e até por cadeiras de rodas para os deficientes físicos, a Ryanair finalmente chegou ao banheiro, anunciando na semana passada a cobrança da “wee fee”, algo como taxa do pipi.
A ideia do presidente da Companhia, Michael O´Leary, é instalar uma porta que só abra com moedas (assim como os toaletes de algumas lanchonetes americanas). A taxa ficaria entre 1 Euro e 1 Libra Esterlina. Além de cortar os custos. O´Leary quer também lucrar mais, diminuindo a quantidade de banheiros nos 737 de três para apenas um, que seria partilhado por até 189 passageiros. No lugar, entrariam seis poltronas.
A princípio, a cobrança aconteceria apenas nos voos com menos de uma hora de duração. Segundo o porta-voz da empresa, isso traria uma mudança nos hábitos dos passageiros.
– Ao cobrar pelos toaletes, nós esperamos uma mudança no comportamento dos passageiros, para que eles usem o banheiro antes ou após os voos. Isso nos permitirá remover doiis dos três toaletes e abrir espaço para seis assentos extras – explicou McNamara ao Daily Mail.
Cobranças controversas e críticas não são problema para a Ryanair. A empresa vem recebendo críticas por cobrar por seus lanches a bordo até 379% a mais pelo preço de mercado. Para isso, McNamara tem uma resposta na ponta da língua.
– Eu queria saber quanto a Tesco (loja de conveniência online britânica) está cobrando pelos seus voos entre Barcelona e Londres – provocou.
A antipatia da empresa vai além de suas cobranças. O serviço de atendimento é feito apenas por telefone ou fax e, advinhem, para telefones pagos. O fato de ser uma empresa odiada, porém, não impediu a Ryanair de transportar o maior número de passageiros entre todas as companhias europeias em 2009, e de projetar lucros de US$ 500 milhões para 2010.
– A empresa de vez em quando aparece em pesquisas como uma das mais odiadas pelos passageiros, mas os números mostram que muita gente ainda prefere a vantagem econômica a regalias – analisa o analista de marketing Daniel Rogers, da consultoria Brand Republic, de Londres.
A antipatia e as taxas extras são o preço que se paga para se ter uma passagem internacional a 33 euros. Voei pela American Airlines nos Estados Unidos e vou dizer que não vi muita diferença. Taxas para as bagagens, sanduiche no voo a quase US$ 10, mas paguei US$ 110 para cruzar o país, de Nova York a Los Angeles (e a AA não é low cost). Em compensação, quando fui a Bahia no mês passado fazer uma matéria pelo jornal, uma passagem para Aracaju saiu a quase R$ 500, isso pela Gol, que entrou no mercado com uma proposta low cost.
Bom, como você provavelmente não vai beber líquidos no avião porque eles custam caro demais, provavelmente vai menos ao banheiro. Se você contabilizar uma visita ao toalete em um voo, pagando 1 euro, não vejo muito problema. A questão que me incomoda é a retirada dos banheiros. Imagine as filas e, principalmente, a imundice que vai ficar com todo mundo usando apenas um vaso sanitário. Uma solução: fraldas geriátricas. Um pacote com oito sai a R$ 14, ou seja, a unidade sai bem abaixo do preço de uma visita ao banheiro em um voo da Ryanair, além de você não ter que enfrentar filas. Aliás, não vai precisar nem se levantar da sua cadeira…









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