O chef Alex Atala parece realmente reinar sozinho não só no Brasil, mas em toda a América do Sul. A cada ano, seu restaurante D.O.M., em São Paulo, vem subindo posições no ranking da Restaurant Magazine, de Londres, com os 50 melhores restaurantes do mundo. Se na estreia, em 2002, Atala ocupava a lanterninha, em oito anos conseguiu subir para a 18ª posição. A melhora se deu principalmente nos últimos dois anos, quando ultrapassou nada menos do que 22 concorrentes. O D.O.M. ainda recebeu, pela quinta vez, o prêmio de melhor restaurante da América do Sul (meio óbvio, já que ele é o único representante do continente entre os 50 melhores).
“Este é um ano diferente, atípico, com grandes subidas e grandes descidas. Estou muito satisfeito com essa colocação e muito feliz por estar mais um ano entre os 50 melhores do mundo. Gostaria de ver mais brasileiros e sulamericanos neste prêmio”, disse o chef, que recebeu o prêmio junto com seis de seus colaboradores, a maioria vestindo uma camiseta com a foto do lavador de pratos do restaurante, o gambiano Ali, que não pôde ir ao evento por não ter conseguido visto de entrada no país. “É um trabalho de equipe”, declarou.
Uma das grandes subidas a que Atala se referia é a do restaurante Noma, da Dinamarca, que conseguiu a proeza de tirar o pentacampeonato do espanhol El Buli, do ‘alquimista da cozinha’ Ferran Adriá, que, como belo prêmio de consolação, ganhou o título de Chef da Década. Como já havia dito no post sobre Ferran Adriá e seus picolés de caipirinha, o chef planeja fechar o restaurante a partir de 2012 e transformá-lo em um “laboratório de investigação da alta cozinha” (whatever that means…). O espanhol foi ovacionado de pé e fez um discurso de despedida.
” Hoje é um dia especial porque é o último dia que vou receber um prêmio do mundo da gastronomia, mas que ninguém pense que vou lhes deixar. Com o novo projeto poderemos dar muito mais ao mundo da cozinha”, prometeu Adriá.
O terceiro lugar na lista ficou com o vice-campeão do ano passado, o inglês The Fat Duck. Entre os 10 primeiros, há quatro espanhóis, três americanos, um inglês e um italiano, além do campeoníssimo dinamarquês. O primeiro francês só aparece na 11ª posição.
Sobre o D.O.M.
Aberto no final de 1999, com o intuito de resgatar sabores da cozinha brasileira sob um olhar contemporâneo, o D.O.M. Restaurante completou recentemente dez anos. Para celebrar sua trajetória, a casa passou por uma repaginada radical e apresentou mudanças no serviço e no cardápio para oferecer um patamar ainda mais alto de excelência.
Segundo José Roberto Moreira do Valle, decorador responsável pela nova ambientação, o restaurante ficou mais privativo e ganhou uma atmosfera mais clean e sóbria. Sem perder, no entanto, o ar descontraído, arrojado, características marcantes do chef.
Para revisitar sucessos do passado, Alex Atala transformou seu cardápio em um registro de sua história. O menu-degustação passa a vislumbrar o futuro, com criações do chef. Já o cardápio fixo volta seu olhar para o passado, para clássicos que marcaram a gastronomia do país. Alguns destaques reeditados são fettuccine de palmito à carbonara (2004) e raia na manteiga de garrafa com tomilho limão, mandioquinha defumada, brócolis e espuma de amendoim (2007).
No Brasil, o D.O.M. possui cotação máxima no “Guia 4 Rodas” e já ganhou prêmios como melhor cozinha contemporânea da capital paulista, pelas revistas “Gula” e “Veja São Paulo”, e melhor restaurante do ano, pela revista “Prazeres da Mesa”.
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