
Mi Buenos Aires querido - Foto: Pedro Serra
Não recomendo fazer o que eu fiz, mas eu não tive escolha. Convidado pela Royal Holiday a conhecer Buenos Aires, fiquei empolgado com a viagem e esperava trazer muitas informações para meus queridos leitores, mas eis que acabei encontrando no caminho com a famigerada Lady Murphy, e fui acometido de uma crise de dor nas costas que me impediu de sair do hotel por dois dias. Fiz alguns passeios, sempre mancando. Conheci Porto Madero, a noite de San Telmo e um belo restaurante chamado Casal de Catalunya, sobre o qual ainda vou falar aqui. Mas só fui melhorar no último dia, e contei com a compreensão do pessoal da Royal Holiday, que estendeu minha estadia no hotel por mais um dia e remarcou minha passagem. Com isso, ganhei mais 24 horas na capital da Argentina. Pois bem, como conhecer uma cidade em apenas um dia??? Com o peso baratinho, vejo muitos brasileiros fazendo viagens de fim de semana para lá, então, se você pretende embarcar nessa (o que, repito, eu não recomendo, afinal, para mim, um destino turístico deve ser esmiuçado e aproveitado), então confira o meu roteiro relâmpago de Buenos Aires.
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Se você tem pouco tempo, nada de andar de ônibus, ou entrar em um daqueles city tours com um monte de gente que demora horas para embarcar e desembarcar. Pegue um taxi todinho só para você. Os caras cobram por hora, e o valor pode variar de 30 a 50 pesos, então negocie. Levando em conta que você vai demorar umas oito horas nesse roteiro (se, diferentemente de mim, resolver parar para almoçar e ficar parando para fazer comprinhas), vai acabar gastando uns R$100 a R$ 200. É por isso também que não recomendo fazer isso se você estiver sozinho. Junte um grupo que o passeio sai mais em conta (lembrando que estamos falando em velocidade x economia).
O ideal é fazer isso no fim de semana, evitando o trânsito pesado da capital. Se for no domingo, melhor, pois você ainda pode aproveitar a feirinha de antiguidades de San Telmo. Só cuidado para não ficar muito tempo olhando as bugigangas por lá, afinal “the clock is ticking”.
Eu dei a sorte de encontrar um taxista gente boa, veterano da guerra das Malvinas, que já foi motorista de Daniela Mercury em Buenos Aires… excelente contador de histórias e profundo conhecedor da capital. Assim que conseguir achar o telefone dele, que anotei em algum lugar e até hoje não sei onde está, coloco aqui.

De taxi em Buenos Aires - foto: Pedro Serra
Antes, algumas considerações. Use apenas os radio-taxis… são iguais aos taxis comuns, mas têm o nome da empresa na parte traseira. Isso é uma garantia, pois, como no Brasil, há muitos motoristas que gostam de ficar rodando sem motivo, ou com o taximetro “viciado”, ou ainda que dão o troco em notas falsas. Para evitar este último problema, tenha sempre em mãos dinheiro trocado.
Falando em dinheiro, evite levar dólares para trocar por pesos. Você acaba perdendo duas vezes na conversão. Ou troque o seu dinheiro no Brasil, ou então procure uma casa de câmbio longe dos centros turísticos. A diferença pode ser absurda. Em uma casa, queriam pagar 1,57 pesos pelo real, em outra, consegui 2 pesos por R$1. Evite também pagar diretamente com Real ou dolar, a conversão nunca vale a pena.
Vamos ao roteiro então:
Começamos por La Boca, o bairro que foi povoado por imigrantes e ganhou um colorido todo especial por causa disso. As duas principais atrações da região são o estádio do Boca Juniors e El Caminito.
El Caminito – meu lugar favorito na cidade, a rua tem restaurantes, obras de arte, shows de cultura argentina, feirinha e muita cor. Bom para simplesmente passear, tirar fotos, ouvir uma boa música. Há restaurantes no local, mas prefiro dar dicas de coisas menos voltadas para os turistas, então vamos em frente (tempo estimado 40 minutos).

El Caminito - Foto: Pedro Serra
La Bombonera – o estádio do Boca Juniors é melhor apreciado em um dia de jogo, com a torcida espremida na famosa caixa de bombons (daí o nome), mas você não terá tempo para isso. Se você não é fã de futebol, nem perca o seu tempo. A entrada custa 16 pesos (se quiser visitar o museu, é um pouco mais caro, mas eu não recomendo). Entre, empurre algumas pessoas para tirar uma foto com a estátua do Maradona, veja o estádio por dentro, imagine como seria um gol do Mengão ali em uma final de Copa Libertadores, e siga viagem. (tempo estimado 30 minutos).

La Bombonera - Foto: Pedro Serra
Puerto Madero – a melhor definição do local me foi dada por Fabián, meu guia: “isto aqui é uma ilha da fantasia, fora da realidade de Buenos Aires”. Pois bem, o local era um porto totalmente abandonado, e foi restaurado para se tornar o local mais caro da cidade. Vale um passeio pelas margens do rio, olhando os prédios modernos. Há restaurantes famosos entre os turistas, como o ‘Siga la vaca’, mas, como eu disse, minha dica para o almoço fica para depois. (tempo estimado 40 minutos).

Puerto Madero - Foto: Pedro Serra
Plaza de Mayo – o local tem esse nome por causa da Revolução de maio de 1811, quando se iniciou o processo de independência da Argentina. O passeio começa pela Catedral Metropolitana de Buenos Aires, com um belíssimo interior, onde se encontra o mausoléu do General San Martin. Margeando a praça, entre no Museu Histórico do Calbido, onde você encontrará objetos vinculados à Revolução de Maio. Depois, dê uma caminhada pela praça, onde as Mães de Maio faziam seus protestos durante a ditadura e onde o povo se juntava para ouvir Juan Perón e Eva Perón fazerem seus discursos da sacada da Casa Rosada. Se você tiver sorte, ou azar, dependendo do seu ponto de vista, poderá acompanhar um dos muitos protestos que acontecem no local, ainda mais em um período político meio conturbado no país. Siga então para a sede do governo e visite a sala dos presidentes. (tempo estimado 1h30m).

Plaza de Mayo - Foto: Pedro Serra

El Calbido - Foto: Pedro Serra
San Telmo – Pelos meus cálculos, você já deve estar morrendo de fome, dependendo da hora em que começou o seu passeio. Siga então para o Casal de Catalunya, em San Telmo. O restaurante funciona no edifício do Centro Cultural da Comunidade Catalã, não tem letreiro na porta e você tem que tocar a campainha para entrar. Mas vai se surpreender quando o fizer. O lugar é lindo, diferente, e você pode apreciar excelentes tapas (tempo estimado 1h30m)
Casal de Catalunya – calle Chacabuco, 863. – San Telmo
Almoço nos finais de semana: 12h30/ 15h
Após almoçar, hora de fazer a digestão dando uma boa caminhada. Para isso, nada melhor do que passear pela feira de artesanato de San Telmo e suas bugigangas. (tempo estimado: depende de você, mas lembre-se que o relógio está correndo. Vou colocar 1h).
Recoleta – Hora de “see dead people”. Peça para o seu guia levá-lo ao bairro da Recoleta, onde se encontra o famoso Cemitério da Recoleta com as tumbas de Eva Perón e outros personagens históricos da Argentina. No caminho, dê umas voltinhas pelo bairro chique, olhando os prédios. No cemitério, dê uma olhada no mapa para não se perder. O interessante aqui é que cada tumba é uma verdadeira obra de arte, e que, em muitas, os caixões ficam expostos (tempo estimado 1h, contando o passeio pelo bairro).
La Flor Gigante – entre um destino e outro, dependendo do caminho que você pegar, peça para o guia/taxista dar uma parada na Flor Gigante, uma bela escultura de metal que se abre durante o dia e, durante a noite, fecha e fica iluminada (vale dar uma passadinha para vê-la das duas maneiras).

La Flor Gigante - foto: Pedro Serra
Monumento aos mortos na Guerra das Malvinas – o monumento lembra o dos americanos mortos no Vietnã, em Washington… um muro com o nome das pessoas. O interessante é que ele fica do outro lado da rua do ‘Relógio dos ingleses’. (tempo estimado: 15 minutos).

Monumento aos mortos na Guerra das Malvinas - Foto: Pedro Serra
Calle Florida - a rua dos turistas. Cuidado com seus pertênces. Aqui há apresentações de artistas de rua e lojas. Não sou muito fã deste tipo de lugar, mas vale o passeio. (tempo estimado: 1h)
Museus – Com tão pouco tempo, quem vai querer ficar enfurnado em um museu? Pois bem, eu! Dependendo, claro, do que estiver em exposição. Quando eu estava lá, havia duas mostras, uma no Malba (Museo de Arte Latinoamericano de Buenos Aires), com Andy Warhol, e outra no Museu de Belas Artes, com Antônio Berni. Se tiver uma exposição assim, coloque na balança, pode valer a pena (tempo estimado: 2h, mas você vai ter que abrir mão de alguma outra coisa).

Malba - foto: Pedro Serra
Bom, hora de voltar para o hotel, dispensar o taxi, tomar um banho, dar uma descansada e se preparar para o passeio noturno.
El Cuartito – ouve-se tanto falar na carne de Buenos Aires e eu, só para ser do contra, vou indicar uma pizzaria. Mas a El Cuartito é um caso a parte, não só pelas pizzas e empanadas (os pastéis de lá), mas também pelo clima. O local, com estilo cantina meio botecão e decorado com quadros e fotos de futebol e personalidades do tango, é frequentado por portenhos e turistas, que se aboletam nas mesas e comem até em pé nos balcões. É interessante ver o malabarismo dos pizzaiolos tentando servir todo mundo. Agradeço muito a Andrea, da Royal Holiday, que me apresentou o local aos 45 do segundo tempo, pouco antes de eu retornar ao Brasil (tempo estimado 1h30).
El Cuartito – Talcahuano, 937 – Recoleta

El Cuartito - foto: Pedro Serra
Las Cañitas – Após saborear uma boa pizza, hora de tomar uns drinks, ver gente bonita e simplesmente curtir a noite. A rua Baez concentra diversos bares e restaurantes, com mesas na calçada e um vai e vem de pessoas de todas as espécies, cores e tamanhos. Se você não tiver gostado da dica da pizzaria e não dispensa comer uma boa carne, o La Fonda del Polo é uma boa opção de parrilla, o equivalente às nossas churrascarias. Se estiver em grupo, peça cada um um corte diferente de carne, para degustar todos os sabores da carne argentina.
La Fonda del Polo – Calle Báez, 301.
Assista ao vídeo do passeio:
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