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Todo cuidado é pouco ao andar de metrô em Buenos Aires

Posted on 09 September 2011 by Pedro Serra

Por Luciano Terra

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Assim que marquei minha passagem para Buenos Aires comecei a buscar com os amigos dicas de passeio pela capital da Argentina. Recebi valiosas colaborações, mas a maioria alertava: “todo cuidado é pouco ao andar pelas ruas e pelo metrô da cidade!” A advertência se referia aos batedores de carteira, bolsas, máquinas digitais e tudo o mais que o turista desavisado costuma carregar consigo.

Achei um pouco exagerado o alerta, mas de qualquer forma tratei de tomar as devidas precauções. Andava pelas ruas com o casaco sempre fechado, com cuidado de deixar câmera digital, carteira e dinheiro sempre nos bolsos internos. E não é que, por duas vezes, tentaram aplicar o mesmo golpe em mim e no meu irmão. Ambos durante uma viagem de metrô.

Na primeira vez, seguíamos tranquilamente conversando dentro do vagão quando, de repente, um homem começa a passar mal, como se fosse vomitar. Abre-se um clarão e os passageiros ficam espremidos num canto. Achei aquilo estranho e logo chamei meu irmão para perto de mim. Naquele momento, o trem estava chegando à próxima estação e o cara que estava “passando mal” apenas cuspiu no chão e saltou do vagão junto com outros três “comparsas”.

(Quer mais dicas sobre a capital dal Argentine? Não deixe de ler o ‘Roteiro relâmpago de Buenos Aires’ e assistir ao vídeo)

Fiz logo uma checagem nos bolsos e respirei aliviado ao perceber que escapara ileso do golpe. Meu irmão também se livrou dos larápios. Um senhor argentino, que viajava no mesmo vagão, fez uma cara como se tivesse pedindo desculpas pelo “tratamento cortês” em seu país dispensado a dois turistas.

Mesmo após este susto, no dia seguinte resolvemos conhecer o Estádio do River Plate, em Nuñez, e mais uma vez optamos pelo metrô, meio mais rápido e barato de se chegar ao local. E novamente quase viramos vítimas dos “amigos do alheio”.

Só que dessa vez a gente já conhecia o modus operandi dos hermanos. Num momento em que tentei ficar mais próximo do meu irmão, mesmo com o vagão um tanto quanto vazio, um senhor fez uma barreira, impedindo a minha passagem. Na mesma hora, outro homem começou a tossir e eu logo gritei pro Rodrigo: “Vem pra cá, vem pra cá!”. O ritual se repetiu, o cara cuspiu no chão e logo as portas do metrô se abriram, com a quadrilha deixando o vagão. Não resisti e gritei algumas “palavras carinhosas” para os malandros, esquecendo de todos os riscos que este tipo de reação pode causar. Não façam isso, em hipótese alguma!

Tirando estes dois incidentes, ainda vimos um senhor ser roubado na rua e depois quase ser atropelado ao correr atrás do bandido no meio da avenida.

Mas nada disso tirou o brilho do passeio pela capital argentina. Vale muito a pena conhecer ou voltar (para quem já conhece) a Buenos Aires, uma cidade com excelentes opções gastronômicas, belos lugares para se visitar e bons vinhos para apreciar. Basta só tomar certas precauções.

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Gritômetro em Buenos Aires

Posted on 07 March 2010 by Pedro Serra

Em frente ao Malba, o Museo de Arte Latinoamericano de Buenos Aires, eu e Lúcia Freitas, do Ladybug Brasil, testamos nossa voz em um “gritômetro” antes de conferirmos a exposição de Andy Warhol. O post sobre o museu e a viagem que fizemos a convite da Royal Holiday você lê clicando aqui… já o vídeo de nós dois pagando mico, e irritando os argentinos, você assiste aqui embaixo:

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Roteiro relâmpago de Buenos Aires

Posted on 05 March 2010 by Pedro Serra

Mi Buenos Aires querido

Mi Buenos Aires querido - Foto: Pedro Serra

Não recomendo fazer o que eu fiz, mas eu não tive escolha. Convidado pela Royal Holiday a conhecer Buenos Aires, fiquei empolgado com a viagem e esperava trazer muitas informações para meus queridos leitores, mas eis que acabei encontrando no caminho com a famigerada Lady Murphy, e fui acometido de uma crise de dor nas costas que me impediu de sair do hotel por dois dias. Fiz alguns passeios, sempre mancando. Conheci Porto Madero, a noite de San Telmo e um belo restaurante chamado Casal de Catalunya, sobre o qual ainda vou falar aqui. Mas só fui melhorar no último dia, e contei com a compreensão do pessoal da Royal Holiday, que estendeu minha estadia no hotel por mais um dia e remarcou minha passagem. Com isso, ganhei mais 24 horas na capital da Argentina. Pois bem, como conhecer uma cidade em apenas um dia??? Com o peso baratinho, vejo muitos brasileiros fazendo viagens de fim de semana para lá, então, se você pretende embarcar nessa (o que, repito, eu não recomendo, afinal, para mim, um destino turístico deve ser esmiuçado e aproveitado), então confira o meu roteiro relâmpago de Buenos Aires.

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Se você tem pouco tempo, nada de andar de ônibus, ou entrar em um daqueles city tours com um monte de gente que demora horas para embarcar e desembarcar. Pegue um taxi todinho só para você. Os caras cobram por hora, e o valor pode variar de 30 a 50 pesos, então negocie. Levando em conta que você vai demorar umas oito horas nesse roteiro (se, diferentemente de mim, resolver parar para almoçar e ficar parando para fazer comprinhas), vai acabar gastando uns R$100 a R$ 200. É por isso também que não recomendo fazer isso se você estiver sozinho. Junte um grupo que o passeio sai mais em conta (lembrando que estamos falando em velocidade x economia).

O ideal é fazer isso no fim de semana, evitando o trânsito pesado da capital. Se for no domingo, melhor, pois você ainda pode aproveitar a feirinha de antiguidades de San Telmo. Só cuidado para não ficar muito tempo olhando as bugigangas por lá, afinal “the clock is ticking”.

Eu dei a sorte de encontrar um taxista gente boa, veterano da guerra das Malvinas, que já foi motorista de Daniela Mercury em Buenos Aires… excelente contador de histórias e profundo conhecedor da capital. Assim que conseguir achar o telefone dele, que anotei em algum lugar e até hoje não sei onde está, coloco aqui.

De taxi em Buenos Aires

De taxi em Buenos Aires - foto: Pedro Serra

Antes, algumas considerações. Use apenas os radio-taxis… são iguais aos taxis comuns, mas têm o nome da empresa na parte traseira. Isso é uma garantia, pois, como no Brasil, há muitos motoristas que gostam de ficar rodando sem motivo, ou com o taximetro “viciado”, ou ainda que dão o troco em notas falsas. Para evitar este último problema, tenha sempre em mãos dinheiro trocado.

Falando em dinheiro, evite levar dólares para trocar por pesos. Você acaba perdendo duas vezes na conversão. Ou troque o seu dinheiro no Brasil, ou então procure uma casa de câmbio longe dos centros turísticos. A diferença pode ser absurda. Em uma casa, queriam pagar 1,57 pesos pelo real, em outra, consegui 2 pesos por R$1. Evite também pagar diretamente com Real ou dolar, a conversão nunca vale a pena.

Vamos ao roteiro então:

Começamos por La Boca, o bairro que foi povoado por imigrantes e ganhou um colorido todo especial por causa disso. As duas principais atrações da região são o estádio do Boca Juniors e El Caminito.

El Caminito – meu lugar favorito na cidade, a rua tem restaurantes, obras de arte, shows de cultura argentina, feirinha e muita cor. Bom para simplesmente passear, tirar fotos, ouvir uma boa música. Há restaurantes no local, mas prefiro dar dicas de coisas menos voltadas para os turistas, então vamos em frente (tempo estimado 40 minutos).

El Caminito

El Caminito - Foto: Pedro Serra

La Bombonera – o estádio do Boca Juniors é melhor apreciado em um dia de jogo, com a torcida espremida na famosa caixa de bombons (daí o nome), mas você não terá tempo para isso. Se você não é fã de futebol, nem perca o seu tempo. A entrada custa 16 pesos (se quiser visitar o museu, é um pouco mais caro, mas eu não recomendo). Entre, empurre algumas pessoas para tirar uma foto com a estátua do Maradona, veja o estádio por dentro, imagine como seria um gol do Mengão ali em uma final de Copa Libertadores, e siga viagem. (tempo estimado 30 minutos).

La Bombonera

La Bombonera - Foto: Pedro Serra

Puerto Madero – a melhor definição do local me foi dada por Fabián, meu guia: “isto aqui é uma ilha da fantasia, fora da realidade de Buenos Aires”. Pois bem, o local era um porto totalmente abandonado, e foi restaurado para se tornar o local mais caro da cidade. Vale um passeio pelas margens do rio, olhando os prédios modernos. Há restaurantes famosos entre os turistas, como o ‘Siga la vaca’, mas, como eu disse, minha dica para o almoço fica para depois. (tempo estimado 40 minutos).

Puerto Madero

Puerto Madero - Foto: Pedro Serra

Plaza de Mayo – o local tem esse nome por causa da Revolução de maio de 1811, quando se iniciou o processo de independência da Argentina. O passeio começa pela Catedral Metropolitana de Buenos Aires, com um belíssimo interior, onde se encontra o mausoléu do General San Martin. Margeando a praça, entre no Museu Histórico do Calbido, onde você encontrará objetos vinculados à Revolução de Maio. Depois, dê uma caminhada pela praça, onde as Mães de Maio faziam seus protestos durante a ditadura e onde o povo se juntava para ouvir Juan Perón e Eva Perón fazerem seus discursos da sacada da Casa Rosada. Se você tiver sorte, ou azar, dependendo do seu ponto de vista, poderá acompanhar um dos muitos protestos que acontecem no local, ainda mais em um período político meio conturbado no país. Siga então para a sede do governo e visite a sala dos presidentes. (tempo estimado 1h30m).

Plaza de Mayo

Plaza de Mayo - Foto: Pedro Serra

El Calbido

El Calbido - Foto: Pedro Serra

San Telmo – Pelos meus cálculos, você já deve estar morrendo de fome, dependendo da hora em que começou o seu passeio. Siga então para o Casal de Catalunya, em San Telmo. O restaurante funciona no edifício do Centro Cultural da Comunidade Catalã, não tem letreiro na porta e você tem que tocar a campainha para entrar. Mas vai se surpreender quando o fizer. O lugar é lindo, diferente, e você pode apreciar excelentes tapas (tempo estimado 1h30m)
Casal de Catalunya – calle Chacabuco, 863. – San Telmo
Almoço nos finais de semana: 12h30/ 15h

Após almoçar, hora de fazer a digestão dando uma boa caminhada. Para isso, nada melhor do que passear pela feira de artesanato de San Telmo e suas bugigangas. (tempo estimado: depende de você, mas lembre-se que o relógio está correndo. Vou colocar 1h).

Recoleta – Hora de “see dead people”. Peça para o seu guia levá-lo ao bairro da Recoleta, onde se encontra o famoso Cemitério da Recoleta com as tumbas de Eva Perón e outros personagens históricos da Argentina. No caminho, dê umas voltinhas pelo bairro chique, olhando os prédios. No cemitério, dê uma olhada no mapa para não se perder. O interessante aqui é que cada tumba é uma verdadeira obra de arte, e que, em muitas, os caixões ficam expostos (tempo estimado 1h, contando o passeio pelo bairro).

La Flor Gigante – entre um destino e outro, dependendo do caminho que você pegar, peça para o guia/taxista dar uma parada na Flor Gigante, uma bela escultura de metal que se abre durante o dia e, durante a noite, fecha e fica iluminada (vale dar uma passadinha para vê-la das duas maneiras).

La Flor Gigante

La Flor Gigante - foto: Pedro Serra

Monumento aos mortos na Guerra das Malvinas – o monumento lembra o dos americanos mortos no Vietnã, em Washington… um muro com o nome das pessoas. O interessante é que ele fica do outro lado da rua do ‘Relógio dos ingleses’. (tempo estimado:  15 minutos).

Monumento aos mortos na Guerra das Malvinas

Monumento aos mortos na Guerra das Malvinas - Foto: Pedro Serra

Calle Florida - a rua dos turistas. Cuidado com seus pertênces. Aqui há apresentações de artistas de rua e lojas. Não sou muito fã deste tipo de lugar, mas vale o passeio. (tempo estimado: 1h)

Museus – Com tão pouco tempo, quem vai querer ficar enfurnado em um museu? Pois bem, eu! Dependendo, claro, do que estiver em exposição. Quando eu estava lá, havia duas mostras, uma no Malba (Museo de Arte Latinoamericano de Buenos Aires), com Andy Warhol, e outra no Museu de Belas Artes, com Antônio Berni. Se tiver uma exposição assim, coloque na balança, pode valer a pena (tempo estimado: 2h, mas você vai ter que abrir mão de alguma outra coisa).

Malba - foto: Pedro Serra

Malba - foto: Pedro Serra

Bom, hora de voltar para o hotel, dispensar o taxi, tomar um banho, dar uma descansada e se preparar para o passeio noturno.

El Cuartito – ouve-se tanto falar na carne de Buenos Aires e eu, só para ser do contra, vou indicar uma pizzaria. Mas a El Cuartito é um caso a parte, não só pelas pizzas e empanadas (os pastéis de lá), mas também pelo clima. O local, com estilo cantina meio botecão e decorado com quadros e fotos de futebol e personalidades do tango, é frequentado por portenhos e turistas, que se aboletam nas mesas e comem até em pé nos balcões. É interessante ver o malabarismo dos pizzaiolos tentando servir todo mundo. Agradeço muito a Andrea, da Royal Holiday, que me apresentou o local aos 45 do segundo tempo, pouco antes de eu retornar ao Brasil (tempo estimado 1h30).
El Cuartito – Talcahuano, 937 – Recoleta

El Cuartito

El Cuartito - foto: Pedro Serra

Las Cañitas – Após saborear uma boa pizza, hora de tomar uns drinks, ver gente bonita e simplesmente curtir a noite. A rua Baez concentra diversos bares e restaurantes, com mesas na calçada e um vai e vem de pessoas de todas as espécies, cores e tamanhos. Se você não tiver gostado da dica da pizzaria e não dispensa comer uma boa carne, o La Fonda del Polo é uma boa opção de parrilla, o equivalente às nossas churrascarias. Se estiver em grupo, peça cada um um corte diferente de carne, para degustar todos os sabores da carne argentina.
La Fonda del Polo – Calle Báez, 301.

Assista ao vídeo do passeio:
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Veja todas as fotos no Flickr do Sem Destino

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De taxi por Buenos Aires

Posted on 23 February 2010 by Pedro Serra

Entre um city tour, os ônibus de turismo da prefeitura (16 pesos por um dia inteiro, mas sem passar em muitos lugares), metrôs e taxis, escolhi a última opção. Fechei um pacote em 30 pesos por hora, mas tive a minha disposição um motorista amigo de Daniela Mercury, veterano da Guerra das Malvinas e profundo conhecedor da capital argentina. Acompanhe a TV Sem destino na primeira parte deste passeio por Buenos Aires com nosso guia Fabián, e aguarde os próximos episódios e os posts com todas as informações sobre a cidade.

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leia o post ‘Um dia no Malba com Antonio Berni e Andy Warhol’.

Pedro Serra viajou a convite da Royal Holiday.

Veja também as fotos no Flickr do Sem Destino.leia o post ‘Um dia no Malba com Antonio Berni e Andy Warhol’.

Pedro Serra viajou a convite da Royal Holiday.

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Um dia no Malba com Antonio Berni e Andy Warhol

Posted on 12 February 2010 by Pedro Serra

Foram quatro dias em Buenos Aires, sendo dois deles praticamente inteiros dentro de um quarto de hotel. Nada como um pequeno problema de saúde para alegrar a viagem. Poderia ter blogado diretamente de lá, tempo não me faltou… mas, o que dizer? Que eu estava deitado, estirado na cama, cheio de dor nas costas a ponto de mal conseguir me mover? Achei melhor deixar para lá, baixar a temporada inteira de Heroes e relaxar (na medida do possível). Graças à Royal Holiday, empresa que me convidou para conhecer a capital argentina, tive algumas mordomias que me ajudaram nestes momentos difíceis, como pedir um sorvete de doce de leite (coisa que nossos hermanos são especialistas) na cama, ou um risotinho de camarão no meio da madrugada. Mas voltemos ao primeiro dia, pois a viagem começou promissora.

Malba - Buenos Aires - Argentina

Malba - Buenos Aires - Argentina

Após desembarcar e deixar as coisas no Hotel Panamericano, seguimos direto para o Malba, o Museo de Arte Latinoamericano de Buenos Aires, para ver uma exposição das obras de Andy Warhol. Passamos pela fila quilométrica na port graças à boa vontade de Andrea Hernandez, coordenadora de marketing da Royal Holiday na Argentina e que desempenhou – muito bem, diga-se por sinal – o papel de cicerone em nossa estada na cidade.

Mao Tsé-tung por Andy Wahrol

Mao é pop

A obra de Andy Warhol não é algo que me salte aos olhos, ainda mais hoje em dia, quando qualquer filtro de Photoshop faz o que ele fazia. O que me atrai em seu trabalho é a história de tudo aquilo, a transgressão, vanguarda. Há uma série apenas com retratos em preto e branco tirados naquelas velhas máquinas de 3 x 4. Imagens pequenas, sem cor, onde o artista Warhol serviu apenas na direção. Eu poderia ter juntado alguns amigos e feito o mesmo, certo? Poderia também ter feito outras séries de fotos exatamente como ele fez, ou mesmo colocar uma foto de uma lata de sopa Campbells, aplicar um filtro e ter os mesmos resultados que ele. Ou não? A diferença é que eu posso fazer isso agora, Wahrol fez isso antes. Que outro artista conseguiria transformar um retrato do líder comunista chinês Mao em uma figura de arte pop? A minha mulher compra latas de Campbell’s Soup aqui para casa, não porque ela goste da sopa, mas porque as acha bonitas. Elas ficam na prateleira durante um bom tempo e, quando começam a ficar velhas, são devidamente trocadas. São parte da decoração, são obras de arte, e é esse olhar sobre o que nos parece cotidiano que Warhol tinha.

Abaporu - Tarsila do amaral

Abaporu - Tarsila do amaral

Mas acabei mais impressionado mesmo com as obras da exposição permanente de museu, recheada de artistas brasileiros e com peças que havia estudado em algum momento da minha vida, e que agora podia ver ao vivo. Como o Abaporu, de Tarsila do Amaral, sobre o qual tanto li ao estudar o movimento modernista, ou a escultura O Impossível, de Maria Martins, que sempre achei linda.

Manifestación - Antonio Berni

Manifestación - Antonio Berni

Outro de meus favoritos que encontrei no museu foram os gordinhos de Botero. Poderia ficar o post todo falando sobre o que vi lá, mas iria cansar vocês. Basta dizer que havia quadros de Frida Kahlo (que não me apetece muito, principalmente os autoretratos), Lygia Clark, Di Cavalcanti, Emilio Pettoruti e muitos outros. Porém, quem mais me chamou a atenção foi um argentino que não conhecia (falha grave minha) chamado Antonio Berni e apresentado no museu em duas fases (desculpem, mas o meu conhecimento em arte não é grande o suficiente para dar nome a essas fases, mas diria que é um pós-construtivismo neo-abstrato pré-apocalíptico). Em uma, Berni mistura elementos reais, como sapatos, camisas e chapéis, com a sua pintura para criar uma imagem tridimencional. Em outra, abusa das cores, sombras e luzes para criar cenas realistas em que retrata o cotidiano de pessoas sofridas. Bem em frente a sua tela Manifestación estava a Festa de São João, de Candido Portinari. Eu e Lúcia Freitas, companheira de viagem e gargalhadas, perdemos um bom tempo ali, analisando e comparando as duas. Descobri depois que havia uma exposição de Berni no Museu de Belas Artes de Buenos Aires, e planejei uma visita, mas aí veio A Dor, o quarto de hotel, os sorvetes de doce de leite, Heroes… Dêem uma olhada neste site com os quadros de Berni e me digam se eu não tenho razão de ter ficado maravilhado.

À noite, seguimos para uma boa Parrillada, ou seja, fomos nos encher da excelente carne argentina. Bifes de Chorizo e sei lá mais o que, mas isso fica para o post sobre a comida em Buenos Aires… um capítulo à parte.

Serviço:

Malba – Museo de Arte Latinoamericano de Buenos Aires
Avenida Figueroa Alcorta, 3415
Site: www.malba.org.ar
Horários: de quinta a segunda e feriados, de 12h às 20h. Quartas até as 21h. Terças, fechado.
Preços: adultos, 18 pesos. Às quartas, 6 pesos.

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Malas prontas… a caminho de Buenos Aires

Posted on 06 February 2010 by Pedro Serra

Mi Buenos Aires querido...

Mi Buenos Aires querido...

Malas prontas… e lá vou eu. Mais uma vez a convite dos amigos da Royal Holyday, embarco em uma viagem para um país latinoamericano. Para quem só conhecia os países da Europa e Estados Unidos, duas viagens em menos de seis meses está bom demais. Tenho apenas que agradecer de eles sempre lembrarem deste humilde blogueiro. O roteiro que recebi também é animador, a começar pelo hotel onde ficarei hospedado. Se na viagem a Cancun fiquei em uma supermegasuite com varandão e hidromassagem em um luxuosíssimo hotel, não esperava menos desta vez. Pois bem, dei uma olhada no site do hotel Panamericano, onde ficarei desta vez, e só pela foto da piscina instalada no 23º andar do prédio com uma vista de toda a cidade, já me empolguei.

Leia sobre a viagem no post “Roteiro relâmpago de Buenos Aires”, com um vídeo exclusivo e muitas fotos.

No primeiro dia, visitaremos o Museo de Arte Latinoamericano (Malba), onde estão obras de Frida Khalo e Diego Rivera, além do Abapuru, de Tarsila do Amaral. A exposição atual é com Andy Wharol. Neste passeio, terei a companhia da Lúcia Freitas, do blog Lady Bug Brazil e da Cely Carmo, representando a Burson-Marsteller, empresa de comunicação responsável pelas ações com os blogueiros brazucas. Para o programa da noite, um jantar em Las Cañitas, região boêmia com inúmeros restaurantes, onde se junta ao grupo a blogueira Andréia Lino, do Mundo Afora.

No dia seguinte, um café-da-manhã com um representante da Royal Holiday, onde falamos sobre a empresa e eu aproveito para treinar o meu espanhol, fazendo perguntas até encher o saco do pobre sujeito. Um parêntese aqui, a RH é uma empresa de time share, ou seja, você paga uma espécie de matricula e uma anuidade e tem direito a utilizar os hotéis do grupo durante um número específio de dias por ano, dependendo do seu plano. São mais de 180 destinos em terra e 3.000 cruzeiros pelo mundo para se escolher. Conheço poucas empresas que invistam tanto no relacionamento com a blogosfera quanto eles. Só no ano passado, foram duas viagens com seis blogueiros em cada. Este ano, os trabalhos começaram cedo, com essa inesperada viagem a Buenos Aires. E não é só aqui no Brasil que isso acontece não… blogueiros de outros países também são convidados a conhecer os destinos da empresa.

Mas, voltando ao roteiro… segue-se um city tour por Buenos Aires, um almoço em San Telmo e um passeio pela famosa feira de antiguidades do bairro. A noite acaba no bairro Palermo, o equivalente portenho ao Soho. Voltamos ao bairro no dia seguinte, durante o dia, para fazer compras e gastar um dinheirinho. O tão esperado tango fica para a segunda-feira, quando nos despedimos e nos preparamos para voltar. Eu ainda curto um pouco a cidade, pois meu voo só sai às 4h. Entre essas atrações que listei aqui, vou encaixando os meus passeios, e vocês acompanham tudo aqui, no Twitter (instalei até um aplicativo no meu BlackBerry só para atualizar sobre a viagem) e no Flickr do Sem Destino.

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