São Miguel dos Milagres, uma introdução

By | October 13, 2013 at 11:40 pm | No comments | Alagoas, Familia Sem Destino, Posts quentes | Tags: ,

Graças à minha viagem do ano passado a São Miguel do Gostoso, com o projeto ‘Descobrindo o Brasil’, já havia ouvido falar muito bem da quase xará São Miguel dos Milagres. Sim, a maioria das pessoas confundia o nome das duas e começava a me dar dicas da praia de Alagoas em vez da praia do Rio Grande do Norte, o que só fazia aumentar a minha curiosidade sobre o lugar. Quando tracei o roteiro do ‘Família Sem Destino’, fiz questão de incluí-la na lista e não me arrependi. Apesar da distância de quase 1.000 km entre Gostoso e Milagres, as duas cidades guardam muitas semelhanças. São destinos ainda pouco explorados pelos turistas, com uma beleza natural exuberante, praias desertas e hospedagens e serviços aos turistas dominados por gringos e pessoas que largaram a vida na cidade grande para se dedicar a um dia a dia mais pacato. Ambas ficam próximas às capitais de seus estados, mas foram beneficiadas por destinos turísticos mais comerciais para permanecerem praticamente entocadas e longe dos pacotes da CVC. São Miguel dos Milagres fica bem no meio do caminho entre Maceió e a badalada Maragogi, mas como vocês podem ver no mapa abaixo, o melhor caminho para chegar lá passar ao largo da cidade. Podemos dizer que a região ficou protegida pela falta de uma ponte entre Porto de Pedras e as praias mais ao norte (tem como cruzar de balsa e é rapidinho, mas não contem para ninguém…)


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Continuando com as comparações entre as São Migueis, no Rio Grande do Norte me hospedei no Jangada HI Hostel, de propriedade de um francês casado com uma paulista. Em Alagoas, fiquei na Pousada da Amoeira, de um Isralense também casado com uma paulista. Mas é exatamente aí, nas hospedagens, que as diferenças começam a aparecer. Seguindo a linha das minhas viagens, procurei a todo custo um albergue ou uma pousada mais estilo mochileiro para me hospedar… e simplesmente não há. O turismo em São Miguel dos Milagres, em sua maioria, gira em torno de casais buscando um refúgio romântico. Muitas das pousadas não aceitam crianças ou mesmo adolescentes, o que foi um problema na hora de buscar um lugar legal para ficar com o Gabriel. Outro problema foi encontrar uma que se encaixasse no nosso orçamento. O valor médio das diárias por lá fica entre R$ 400 e R$ 800. Mas a males que vem para bem…

Vista da Pousada da Amendoeira

Vista da Pousada da Amendoeira

Passeio à cavalo pela Praia do Toque no entardecer

Após muita pesquisa, optamos pela Pousada da Amendoeira, com a diária a R$ 480 para o casal em um bangalô de ótimo tamanho. O valor subiu para R$ 630,00 por estarmos com uma criança. Depois do susto inicial com o valor, fiz uma boa análise e achei muito válido. A questão é que, pela falta de opções gastronômicas na região, as pousadas trabalham em sistema de meia pensão, com café da manhã e almoço ou jantar, e oferecem cozinhas de nível internacional, melhores do que muito restaurante metido a besta por aí. Algumas das melhores refeições que fiz em toda a viagem pelo Nordeste foram no restaurante da Pousada da Amendoeira. Se pensarmos que uma refeição em um bom restaurante no Nordeste para um casal com filho não sai por menos de R$ 200, estamos pagando R$ 430 de diária em um bangalô a beira-mar de uma praia praticamente deserta e com serviços melhores do que qualquer hotel. Sim, porque o grande diferencial de São Miguel dos Milagres está exatamente aí: atendimento.

Bangalo na Pousada da Amendoeira

Bangalo na Pousada da Amendoeira

A comida da Pousada da Amendoeira...

A cozinha é um dos destaques

Quando eu cheguei na recepção da Pousada da Amendoeira, fui recebido por uma funcionária que sabia o meu nome, o da Isabela e o do Gabriel. Pode parecer uma coisa simples, mas é um diferencial muito grande. Talvez você esteja achando que é bobagem, mas pense em quantas vezes você chegou a uma hospedagem e foi chamado pelo nome antes mesmo de se apresentar. Esse tratamento se repetiu durante os três dias em que estive lá. Funcionários simpáticos, prontos para resolver qualquer problema… ou simplesmente bater um papo. Eu sou horrível com nomes e chamo todo mundo de “doutor”, “cara”, “irmão”, “brother” exatamente por causa disso. Mas lá eu sabia o nome de todos. A Larissa, o Gil, a Lilia, o Fabiano e claro os proprietários Jessy e Tsarri.

Nossos amigos da Pousada da Amendoeira

Nossos amigos da Pousada da Amendoeira

Outros mimos e detalhes também me fizeram achar o valor da diária bem justo. Chegando no quarto, havia uma pequena bolsa com diversos apetrechos para quem quiser se exercitar (que realmente deve ser muito pouco usado… mas está lá); Há caiaques à disposição sem custo adicional; Na sala de televisão, há uma pequena DVDteca, com títulos inclusive para crianças, e uma biblioteca.

Gabriel pronto para uma passeio de caiaque

Gabriel pronto para uma passeio de caiaque

Pouco depois de sair de São Miguel dos Milagres, já em Porto de Galinhas, engatei em uma conversa com dois casais que tinham acabado de sair de lá também. Ficamos em uma briga contando vantagem sobre nossas pousadas, cada um querendo puxar sardinha para o seu lado. No final, chegamos à conclusão que primar pelo serviço e pensar nos detalhes é algo comum aos estabelecimentos da região, mas que cada um o faz com a sua particularidade. Vi gente reclamando que a Pousada do Toque, a mais famosa da região, era muito “construída”, muito “urbana”, o contrário da Pousada da Amendoeira, mais despojada e integrada à natureza.

Por do sol no Rio Camaragibe

Por do sol no Rio Camaragibe

Ainda vou fazer um post só sobre eles, mas vale frisar uma diferença essencial da Pousada da Amendoeira para as outras: o comprometimento com o desenvolvimento da região. E não estou falando do desenvolvimento turístico apenas. Jessy e Tsahi são diretores do Instituto Yandê, ONG que atua na região da Costa dos Corais voltada ao desenvolvimento de ações e projetos nas áreas de educação, cultura e meio ambiente. Além de um Cursinho Pré-vestibular, o Yandê atualmente coordena a Oficina Peixe-boi & Arte, que produz pelúcias e bonecos de retalho do peixe-boi; oferece cursos de informática, leitura e contação de histórias; e executa projetos de educação ambiental.

Isabela e Gabriel em uma visita ao Instituto Yandê

Isabela e Gabriel em uma visita ao Instituto Yandê

Todos esses detalhes unidos a visuais incríveis, com praias belíssimas de água transparente, quente, calma e rasa, onde se pode ficar deitado por mais de uma hora sem ver uma alma viva, o vento constante, as pessoas, os rios… tudo isso faz de São Miguel dos Milagres uma parada obrigatória para quem visita Alagoas… só não espalhem isso por aí! Bom, a região ainda será tema de muitos outros posts por aqui. No próximo, vou falar sobre as praias e piscinas naturais, mas ainda tem posts sobre o projeto peixe-boi no Rio Tatuamunha, sobre o Instituto Yandê, sobre a pousada e muito mais.

Na balsa a caminho do litoral norte

Na balsa a caminho do litoral norte

Este posts é part do projeto ‘Família Sem Destino’, que contou com o apoio da Ford e da Hostelling International.

sao miguel dos milagres

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