‘Família Sem Destino': Sol, sombra, água fresca… e poluição sonora

By | September 24, 2013 at 1:59 am | 5 comments | Alagoas, Familia Sem Destino, Posts quentes | Tags: ,

O dia em que finalmente conseguirmos acordar cedo, com certeza vai estar chovendo. Como gostamos muito dos nossos dias de sol, continuamos ignorando solenemente as dezenas de alarmes que ligamos em nossos telefones. A ideia para hoje era acordar umas 7h30 (ok, nem seria tão cedo assim) e seguir para as praias do sul de Alagoas. Cansado depois da maratona do dia anterior, só conseguimos tirar o Gabriel da cama (sob protestos) depois das 9h e, mais uma vez, perdemos o ótimo café da manhã do Maceió Hostel. O humor da criança só melhorou depois que chegamos na Panificação Alteza, que ostenta na entrada um cartaz com os dizeres “melhor padaria de Maceió”. Bom, concordo que é uma padaria ótima, com um misto quente bem legal e uma boa variedade de pães… se é a melhor de Maceió eu nunca vou descobrir, pois não pretendo passar a minha viagem inteira visitando padarias.

Aqui eles vendem de tudo

Praia do Francês: aqui eles vendem de tudo

Alimentados, seguimos enfim rumo ao sul, dessa vez sem brigar com o GPS. Descobrimos que o Waze funciona melhor por aqui, sem nos mandar entrar na contramão a cada esquina. Chegamos na Praia do Francês ao meio dia, com o sol a pino, maré baixa, céu azul e mar verde convidativos. Tudo perfeito para uma tarde relaxante na praia, certo? Errado… a cada 20 metros, vendedores ambulantes com caixas de som potentes faziam uma espécie de batalha de DJs tocando uma salada musical que ia do eletrônico ao sertanejo universitário. Em meio a isso, sorveteiros tocavam sinetas incessantemente, vendedores de bugigangas tentavam ganhar compradores no grito e, no meio de tudo isso, eu, com meu ouvido de DJ, tentava encaixar todos os sons e criar uma música na minha cabeça. Fugi para o mar com o Gabriel e consegui a paz que eu queria, ensinando-o a usar os recém-comprados snorkel e máscara de mergulho. Fiquei orgulhoso de vê-lo rapidamente aprender a flutuar respirando pelo snorkel, sem levantar a cabeça.

Quem me dera ser um peixe...

Quem me dera ser um peixe…

Enquanto isso, a Isabela, que havia ficado na mesa cuidando das coisas, estava quase enlouquecendo. Tínhamos algumas opções: nos deslocar para a parte da praia com ondas, onde o barulho não nos alcançaria, fazer um passeio de barco até o que eles chamam de zoológico de pedras, onde há recifes com o formato de animais (40 minutos de passeio, R$ 15 por pessoa) ou partir logo para a praia do Gunga. Como tínhamos chegado tarde e ainda queríamos conhecer a outra praia, decidimos pela terceira opção.

Barco para passeio na Praia do Francês

Um parênteses aqui: Fiquei muito triste de ter sido expulso da Praia do Francês pela guerra sonora. A praia é linda, o mar é calmo, o suco de abacaxi, servido dentro da fruta, é uma delícia e a estrutura para o turista é bem legal. Sim, eu sou chato e gosto de ir a praia para relaxar. Para mim, deviam existir leis sobre aparelhos sonoros na praia… na verdade, eu acho que essa lei até existe, só que não há fiscalização. Um segundo parênteses… lendo o post de ontem, vi que eu tinha reclamado da mesma coisa quando falei sobre a visita às piscinas naturais de Pajuçara. Prometo relaxar mais e reclamar menos daqui para a frente (sem deixar de apontar os problemas, claro). Alagoas é um lugar muito lindo para eu ficar reclamando, certo?

Suquinho de abacaxi

Chegamos à Praia do Gunga e lá fomos eu e Gabriel continuar o nosso treinamento subaquático. O lugar é tão belo quanto à praia anterior, mas sem a poluição sonora. Decidimos almoçar por ali mesmo um peixe com salada e arroz bem honesto. Deixamos o tempo passar e, quando nos demos conta, já estava na hora de ir embora. O plano de fazer um passeio de buggy até as falésias que serviram de cenário para o filme “Paraísos artificiais” (R$ 30 por pessoa) foram deixados de lado. Queríamos ainda dar uma espiadinha no Mirante do Gunga, com vista para toda a região. Mas antes, arrumamos um tempinho para a nossa sobremesa em uma das diversas barraquinhas espalhadas perto da praia: uma tapióca de banana com leite condensado (R$ 8,00. Impressionante como aqui eles colocam leite condensado em tudo).

Praia do Gunga

Praia do Gunga

O Mirante do Gunga realmente oferece uma vista sem igual na região, avistando as praias e uma plantação de cocos gigante. Mas aí o Gabriel já estava dando defeito, brigando com o sono e, por consequência, comigo e com a Isabela. Decidimos partir.

Barraquinha de tapioca e otras cositas más na Praia do Gunga

Barraquinha de tapioca e otras cositas más na Praia do Gunga

À noite, fomos experimentar o Wanchako, um saboroso restaurante peruano na capital. Cebiche (R$ 48) para mim, camarões e arroz de frutos do mar para a Isabela (R$56). A conta veio salgada, mas a comida estava deliciosa. Voltamos para o Maceió Hostel com a sensação de dever cumprido, esperando por mais dias como esse durante a viagem. Amanhã continuamos nosso árduo trabalho com uma visita à Foz do Rio São Francisco.

O Machako não abre aos domingos

O Wanchako não abre aos domingos

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O projeto “Família Sem Destino” tem o apoio da Hostelling International Brasil e da Ford.

Praia do Gunga

5 Comentários

  1. Marcelo Marques (2 years ago)

    Realmente a Praia do Francês é linda.
    Lendo a postagem me senti como se estivesse aí.
    Agora, não perco o próximo post por nada.
    A Foz do Velho Chico é maravilhosa.

  2. Fabrício Oliveira (2 years ago)

    Mestre, o nome do restaurante é WANCHAKO.

    Abraço!

  3. Karla Alves Leal (2 years ago)

    A bolachinha de côco da Alteza pra mim é inesquecível, ainda mais se vier acompanhada de um queijo de coalho tostadinho.
    Não sei se é a melhor padaria, mas o café do Palato também é bom demais.
    E o café da manhã da Bodega do Sertão? Vocês não podem deixar de conhecer!
    Sem falar do Divina Gula e do Massarella. Maceió não é nada light!!

  4. Rejane (2 years ago)

    Costumo ver turistas aqui no nordeste reclamando de tudo, barulho, demora, má prestação de serviços e esquecem que deveriam vir pra relaxar e esquecer as mazelas do dia a dia, mas, não é isso q vejo acontecer, acabam ficando bravos e deixando o lugar sem curtir o momento e abstrair o q pode trazer aborrecimento.

  5. Pedro Serra (2 years ago)

    Oi Rejane,

    a questão é que, como você mesmo disse, as pessoas vêm relaxar e acabam não conseguindo fazer isso. Eu amo o Nordeste, mas não posso deixar de apontar os problemas. Me divirto muito aqui, mas me incomodo com algumas coisas. Em vez de achar que as pessoas deveriam “abstrair”, seria melhor se o trade se organizasse para combater esses problemas, não?

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