Bejucal é uma pequena cidade de cerca de 25 mil habitantes a cerca de 40 minutos da capital Havana. A cidade é conhecida principalmente pelas Charangas de Bejucal, uma festa popular que mistura um pouco do carnaval carioca com a disputa do Boi de Parintins. É lá que nasceu também o ator Andy Garcia, embora a maioria dos residentes não dê muita bola para o fato. Visitei a cidade por diversas vezes em fevereiro de 2011, enquanto estudava cinema na Escuela Internacional de Cine y Televisión, para gravar um documentário sobre as Charangas. Infelizmente cheguei atrasado para a festa, que tinha rolado duas semanas antes, mas pude conhecer todos os envolvidos no design e fabricação dos carros alegóricos, das fantasias e na preparação do evento.
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A festa teve início no começo do século 19 e é uma das três maiores do país. Acontece com dois grandes carros alegóricos, um para o grupo azul, chamado de Ceiba de Prata, e outro para o grupo vermelho, a Espina de Oro, que duelam na praça principal da cidade mostrando quem tem as melhores “sorpresas”, como eles chamam as alegorias que saem de dentro do carro e chegam a atingir 15 metros de altura. Meu documentário mostrava como a tradicional rivalidade entre os grupos vinha se perdendo por causa das dificuldades financeiras no país, que fizeram também com que a festa deixasse de ter uma data fixa, acontecendo “quando dá” entre dezembro e janeiro. Enquanto filmava, pude conhecer um pouco do dia a dia da cidade, que não possui grandes atrativos, mas encanta pelo povo receptivo e pelas peculiaridades que só uma cidade do interior de Cuba pode oferecer, com suas construções antigas, carros de museu e o famoso jeitinho cubano de levar a vida apesar das dificuldades.

Imagem das Charangas no museu de Bejucal

Filmando no barracão da “Ceiba de prata”, um dos grupos de charangueiros

O Rio de Janeiro já foi um dos homenageados da Espina de Oro
Bejucal vive basicamente da agricultura, e é comum encontrar tratores passeando pela cidade. Há uma sensação de que sempre é fim de semana por lá, dada a quantidade de pessoas na rua, sem fazer nada, em pleno dia. Essa sensação é quebrada apenas no fim da tarde, com os jovens em seus uniformes impecáveis saindo das escolas. A fila para a pizza barata, a venda de carne no meio da rua, a ausência de comércio, a constante música que toca vinda de diversos lugares e os muros pintados com slogans socialistas dão um colorido especial à cidade.



Uma das atrações de Bejucal é o centro cultural que serve como uma espécie de museu das Charangas, com fotos e material sobre a festa. Também á possível, com um pouco de lábia e conhecimento, visitar os barracões onde os carros são montados. Vale a pena ver a engenhosidade cubana para, com pouquíssimos recursos, montar uma festa grandiosa, com carros alegóricos que poderiam muito bem estar no carnaval carioca (ok, na terceira divisão, mas podiam). Não é o tipo de lugar que eu recomendaria para uma estadia mais prolongada, mas se você estiver passando por perto, não deixe de visitar Bejucal, principalmente se for época de Charanga.


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Bóia Paulistaa (7 months ago)
Oi, Pedro. Tudo bem?
Seu post foi selecionado para a #Viajosfera, do Viaje na Viagem.
Dá uma olhada em http://www.viajenaviagem.com
Até mais,
Natalie – Boia Paulista
Mirella (@mikix10) (7 months ago)
Que legal esse post, Cuba anda subindo para o topo das minhas prioridades de viagem e quero ir além de Havana e resorts.
Adorei o post
abs
Rafael (7 months ago)
Pedro, não sabia que você estudou cinema em Cuba. Muito legal. Cheguei a sonhar em fazer isso alguma vezes. Muito legal o post.