Se você tivesse um cruzeiro marcado com uma escala agendada no Haiti, o que faria? Como se divertir sabendo que, do outro lado da ilha, milhares de pessoas lutam para sobreviver? Seguimos o conselho de nossa ministra e “relaxamos e gozamos”, desistimos da viagem, mesmo sabendo que podemos ficar sem o reembolso, aproveitamos para virar voluntários e ajudar a população, ou simplesmente nos recusamos a sair do navio? Esse é o dilema de diversos passageiros da Royal Caribean… leia a matéria do site Terra, reflita, comente:
A menos de 100 km da área devastada pelo terremoto que matou milhares de pessoas no Haiti, turistas desfrutam de passeios de jet-ski, saltos de parapente e coquetéis à beira de praias privadas. Na sexta-feira, a embarcação Independence of the Seas, de propriedade da Royal Caribbean International, chegou ao resort de Labadee com mais de 3 mil passageiros, segundo publica o jornal The Guardian.
Mas, desde o tremor da última terça-feira, a decisão sobre ir em frente com o passeio e desembarcar na ilha sendo escoltados por seguranças armados tem dividido os turistas. Os navios podem levar ajuda aos desabrigados e a empresa proprietária se comprometeu a doar a renda com a visita ao país às vítimas da tragédia, mas mesmo assim alguns viajantes preferiram ficar a bordo do navio.
“Eu simplesmente não consigo me ver tomando sol na praia, brincando na água, comendo um churrasco ou apreciando um coquetel enquanto (em Porto Príncipe) há dezenas de milhares de pessoas mortas sendo empilhadas nas ruas, sobreviventes atordoados à procura de água e comida”, escreveu um passageiro do cruzeiro em um fórum na internet.
Além do mal estar que a situação provoca, descrito por um passageiro como “enjoo”, há o temor de que haitianos desesperados violem a segurança em torno do resort e invadam a área em busca de comida.
A empresa responsável pelos cruzeiros admitiu que a inclusão do Haiti no roteiro das próximas semanas gerou debate interno, mas explicou o motivo de ter decidido manter o programa. “No fim, Labadee é fundamental para a recuperação do Haiti. Centenas de pessoas dependem de Labadee para sobreviver”, disse John-Weis, vice-presidente da companhia.
O navio que chegou ao Haiti na sexta levou, além de turistas, comida aos haitianos vítimas do tremor. Além disso, a Royam Caribbean se comprometeu a doar US$ 1 milhão em ajuda e parte de seus lucros.










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January 19th, 2010 at 2:28 pm
Fiz um post no meu blog sobre este mesmo assunto…
tem uma coisa que não sai da minha cabeça- pessoas gozando de férias se empapuçando, com todo aquele desperdício que sabemos que acontece em cruzeiros ha alguns quilometros de pessoas passando fome, brigando por comida, numa calamidade só
January 19th, 2010 at 5:15 pm
Pois é, Adriana… eu não sei o que eu faria. Com certeza não curtiria nem um pouco estar lá, a não ser que fosse para ajudar. Tentei cavar lá no jornal de ir fazer a cobertura in loco, mas não rolou. Já um cruzeiro, tô fora. Até entendo o argumento de que isso gera emprego e dinheiro para os cidadãos. Os caras já quase não tem turismo lá, e se uma das únicas fontes secar, o que vai ser para as famílias que vivem disso? E se a Royal Caribean, por causa disso, desistir de fazer cruzeiros para lá e parar de arrendar aquele espaço de terra? Mas é muito recente. A empresa tinha que doar um bom dinheiro, até para mostrar que é “parceira” do país, e não exploradora de um pedaço de terra… quanto aos cruzeiros, realmente acho que um tempo se faz necessário.
January 21st, 2010 at 9:37 pm
Pedro
O que menos o Haiti precisa no momento é de perda de renda. O turismo é uma importante fonte de renda e trabalho no pais. Pode ser difícil aproveitar o momento para alguns, mas aqueles que desceram e usufruiram dos serviços estão, de alguma forma, ajudando.
A ajuda no local do acidente deve ser coordenada, senão farão parte do problema.
January 22nd, 2010 at 4:18 am
Para quem critica as escalas de cruzeiros no Haiti, qual a saída? Os cruzeiros deixarem de escalar o Haiti e os haitianos perderem mais de 200 postos de trabalho em terra?
January 22nd, 2010 at 11:17 am
Realmente também me preocupo com a perda dos postos de trabalho. Como falei no comentário para a Adriana, fico imaginando o que aconteceria se a Royal Caribean decidisse parar com os cruzeiros para lá… agora, a pergunta que eu tive dificuldade de responder é o que eu faria se tivesse com um cruzeiro agendado para lá.